quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

O Juízo



Uma história sombria, caótica e sem emoção


Um homem decide se mudar, com sua esposa e seu filho, para uma fazenda de propriedade de sua família – local que carrega uma maldição secular, sob o manto da traição e da escravatura.

O argumento do longa “O Juízo” projeta uma história sombria, caótica e sem emoção, definida por um roteiro previsível sob a direção de Andrucha Waddington. Desprovido qualquer densidade mística, o longa remete a um desnecessário arremedo de um clássico de terror. A carência de identidade do longa se deve, essencialmente, à incorporação de clichês retratados por fantasmas vingativos, por paranoias “tarja preta”, por praga dramática e histórica transmitida de geração a geração e por conflitos existenciais. Tudo isso, a serviço de um anticlímax para o espectador que busca o medo, o susto e a razão, mas que encontra apenas a expectativa do desenrolar da história que, de tão frágil, sequer é capaz de sugerir a defesa de uma crítica social.

Em contrapartida, o texto de autoria de Fernanda Torres é esplendidamente interpretado por um elenco, escolhido a dedo que, em muito, transpõe qualquer possível carência do roteiro pontada pela crítica – ninguém menos que Felipe Camargo, Carol Castro, Criolo, Joaquim Torres Waddington, Lima Duarte e Fernanda Montenegro. Em total simbiose com as primorosas tomadas fotográficas externas e internas, associadas ao figurino e à maquiagem, o semblante dos personagens incorporados pelos atores se faz suficiente para abrilhantar a produção e justificar a presença do público às salas de projeção. 

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