quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Ameaça Profunda



Excesso de superficialidade


Um thriller de ficção reúne uma equipe científica que enfrenta riscos desconhecidos nas profundezas abissais de algum ponto do oceano, retratado pelo cineasta William Eubank, como um ambiente inóspito onde um gigantesco complexo de estações de pesquisa foi construído, sem maiores esclarecimentos sobre sua origem e o objeto de sua investigação.

Dessa forma, é montado o cenário de “Ameaça Profunda” – um longa cujo roteiro foi desenvolvido de tal forma a fadá-lo ao hall das produções desnecessárias, apesar da tentativa de levar às telas um filme condecorado por classificações que percorrem o horror, à claustrofobia e ao apocalipse, espelhado a partir de produções já, há muito, exploradas em meio ao espaço intergaláctico. Não obstante, Eubank deflagra um processo de destruição das estações de pesquisa a partir do ataque de um ser marinho nos moldes da criatura de Ridley Scott, concebida segundo um ser alienígena resgatado por uma nave de pesquisa interestelar. Não fosse suficiente o acumulado paralelismo à saga alienígena, Eubank aposta suas fichas no desempenho dos personagens Norah Price e o Capitão da missão, incorporados por Kristen Stewart e por Vincent Cassel, respectivamente, como se num resgate de protagonistas da quadrilogia iniciada há cerca de quarenta anos.

Nem mesmo o padrão da matriarca Xenomorfo com sua ninhada escapa da mira do jovem diretor – em seu “nada a acrescentar” sci-fi – sendo retratados quando de um ataque coletivo da espécie aos humanos, sob a projeção de uma luz escarlate, contrastante com a mesmice cromática azul esverdeada que toma conta de, praticamente, todo o longa - o mesmo que assume o nervosismo trêmulo de uma lente que impede, intencionalmente, a visualização consciente da forma dos seres abissais. Em tempo, as duas personagens femininas, a despeito do corte de cabelo e do figurino que, além de remeterem aos concebidos para a estrela de Alien – Sigourney Weaver protagonizando Ellen Ripley – assumem uma configuração Miles Cyrus em seu Wrecking Ball – sugerindo uma exploração do corpo feminino, tão em desuso, em tempos de empoderamento feminino.

A instauração do naufrágio de "Ameaça Profunda" ocorre a partir dos primeiros minutos de projeção do longa, quando um abalo estrutural fatal da estação modular, onde se encontram os pesquisadores, os obriga a migrar para o módulo onde estão localizadas as cápsulas de escape de volta à superfície, fundamentais para salvar as suas vidas. Mas uma criatura desconhecida e, perigosamente fatal, escondida na profundeza das águas, ameaça a integridade da estação submarina e de todos os seus ocupantes, como uma reação dos habitantes das profundezas à tentativa de ocupação de seu território.

A histérica demanda por emoção constante desenhada para "Ameaça Profunda" torna os noventa minutos mais exaustivos do início do ano cinematográfico, dispensando qualquer empenho por uma sequência, devido ao excesso de superficialidade do roteiro, concretizando, somente, a soberania do oitavo passageiro de Scott.

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