terça-feira, 14 de janeiro de 2020

O Escândalo



Uma produção que denuncia erros que se fazem presentes em tempos passados e atuais


A partir de narrativas de mulheres assediadas por um, não somente, poderoso homem do mundo da mídia, mas também um desprezível assediador sexual, o irretocável longa “O Escândalo” dispara contra o sol, com o que há de mais podre na imprensa racista, machista e homofóbica, da republicana Fox News. Nos bastidores, política se mistura com o desrespeito às minorias, por sua vez, objeto de denúncia pelas âncoras femininas da emissora que, para serem admitidas ou promovidas, rendem lealdade e, até mesmo, favores sexuais ao presidente da FNC – Roger Ailes - capturado pelo consagrado ator e cantor norte americano, John Lithgow, que presta uma interpretação digna de premiação.

Baseado em eventos reais vivenciados pela comentarista da Fox News, Gretchen Carlson, em 2016, o longa, dirigido com intensidade ímpar pelo realizador e produtor cinematográfico Jay Roach, reencaminha às telas de cinema, a inebriante estrela Nicole Kidman, no papel de Carlson, que se diz forçada a abandonar o seu emprego após a sua recusa frente aos avanços sexuais de Ailes. Mas não somente de Kidman e de Lithgow, Roach extrai fortes interpretações, mas de outras tantas estrelas que desempenham papéis de forte relevância no drama, presenteando o espectador com uma história definida por uma narrativa instigante e pela nitidez com que é traçado o universo psicológico dos homens assediadores e da forma que o sofrimento atinge as suas vítimas.

“O Escândalo” é uma produção que denuncia erros que se fazem presentes em tempos passados e atuais, e se mostra eficaz ao juntar as histórias de um grupo improvável de mulheres em prol de uma nova narrativa de um mundo empresarial menos misógino, numa era marcada por imponentes torres codinominadas Trump.

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