quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

O Preço da Verdade



Uma assustadora realidade


Uma história de horror, perturbadora e pertinente, sobre a má conduta corporativa da segunda maior empresa química do mundo – a norte-americana DuPont – que envenenou a cidade de Parkersburg, localizada no estado norte-americano da Virgínia Ocidental por décadas, é o fio condutor do longa “O Preço da Verdade”.  Conta a história da batalha de quinze anos de um advogado de Cincinnati – Robert Bilott (Mark Ruffalo) para fazer valer a justiça e obrigar a ré ressarcir todas as vítimas de sua conduta genocida. Conforme artigo da New York Times Magazine, publicado em 2016, o advogado Robert Bilott se tornou o pior pesadelo da Du Pont.

Todd Haynes – o diretor independente, roteirista e produtor cinematográfico americano – ousa em sua direção, ao fazer de sua obra uma denúncia contra as agressões das grandes empresas contra o meio ambiente, detalhando o terror pelo qual passa um fazendeiro, cujas terras se transformam em um cemitério de gado, anos após anos. Na vizinhança, pessoas adoecem por longos anos, durante os quais, a justiça se mantém inerte diante do lançamento de rejeitos químicos no solo e, consequentemente, nos recursos hídricos da Virgínia Ocidental. No caso em questão, o produto químico tóxico usado na fabricação do Teflon – o  fluorocarbono PFOA,  cuja exposição aos seres humanos é provavelmente associada a ocorrência de câncer renal, câncer testicular, doenças da tireoide, altas taxas de colesterol e pré-eclâmpsia. 

Longe de ser um filme com final feliz, o longa sentencia o crime contra o planeta de maneira insolúvel, já que, em escala mundial, 99% de todos os seres vivos já tenham a sua cota de contaminação confirmada por estudiosos, através de atos como tomar banho, cozinhar e beber água, que servem como portas de entradas invisíveis.

“O Preço da Verdade” aponta o dedo para as empresas que funcionam de maneira criminosa e consciente de tais atos, e permitem que pessoas e animais sofram com a água que bebem e o ar que respiram. Esse quadro, cada vez mais atual, é que faz o filme uma assustadora realidade que, pelo que tudo indica, encontra-se longe de ser revertida.

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