quinta-feira, 12 de março de 2020

Terremoto



Um espetáculo inegavelmente aflitivo


A sequência do filme “A Onda” de 2015 – cujo roteiro contempla um colossal desmoronamento de uma montanha, provocando um enorme tsunami que consome a pequena e pitoresca cidade de Geiranger, na Noruega – consagra o geólogo Kristian Eikjord (Kristoffer Joner) como herói nacional, por ter orientado uma parcela da população para que buscassem locais elevados junto às montanhas para salvarem suas vidas. A despeito de seu sucesso, o compromisso obsessivo de Kristian para com a sua função junto ao posto de sismologia de Geiranger – do qual já havia se desligado antes mesmo do abalo sísmico causador da catástrofe – a partir do evento do tsunami, se transforma em trauma patológico, por todas as demais vidas que não lhe foi possível salvar.

Em “Terremoto”, Kristian é um homem separado de sua esposa, que passa a viver com seu casal de filhos em Oslo. Sua nova obsessão por uma nova e iminente catástrofe é deflagrada ao tomar conhecimento da morte de um colega de profissão, durante a investigação de um misterioso incidente em um túnel rodoviário, nos arredores de Oslo.

A excepcionalidade do design do som que, em conjunto com os efeitos visuais, impressionam ao transmitir a sensação de colapso geral provocado por um terremoto, confere à direção de John Andreas um status de excelência, tendo em vista o potencial de compreensão promovido pela narrativa visual e sonora, nos momentos ápices da catástrofe – uma perfeita extensão de “A Onda” que antecede “Terremoto”, lastreado por núcleos de personagens genéricos e ignorando as leis da probabilidade em prol de um final ‘feliz’.

O longa é um espetáculo inegavelmente aflitivo, desde os momentos que registram os abalos sísmicos, até os instantes em que os personagens são vitimizados, de forma recorrente, pelos escombros daquilo que fora uma cidade, a despeito da superficialidade na abordagem do tema, baseado em fatos fictícios, num cenário real de uma possível catástrofe ainda não anunciada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário