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Barbie - à beira do cinismo

Atualizado: 7 de out. de 2023

Uma avalanche de conceitos mal explorados, entregues ao espectador numa caixa cor de rosa com conteúdo duvidoso e mal embrulhada

Barbie

resenha: psales e msenna


“Barbie” estreia na Claro tv+

O filme chegará à plataforma para aluguel no dia 12 de setembro de 2023

 

Barbie - à beira do cinismo


"Barbie" – a mais nova produção cinematográfica de Greta Gerwig – prometia ser uma obra de cunho distópico inovador, capaz de brincar com os limites da imaginação. Apesar de o tema contar com a vantagem de uma bagagem criativa agregada que vem sendo sedimentada junto ao público alvo há 64 anos, a frieza do roteiro, agravada à sua pouca maleabilidade, permite com que o filme se afogue em sua própria tentativa de se tornar uma comédia, no entanto, limitando-se, chegar à beira do cinismo.

Embora o elenco – encabeçado por talentos como Ryan Gosling e Margot Robbie – se esforce ao máximo para dar vida aos personagens, a narrativa de Barbie embarcando em uma jornada ao lado de Ken, visando ao encontro de sua dona e de sua identidade, deságua em meio a uma história confusa e perdida. Enquanto Ken parece encontrar seu caminho, a protagonista icônica entra em estado de deriva, e a história falha em explorar, satisfatoriamente, seu processo de autodescoberta.

O filme toca em pautas feministas contemporâneas, inegavelmente válidas e importantes, mas as aborda de forma superficial e aleatória. O patriarcado, os padrões impostos às mulheres e, até mesmo, o mansplaining são jogados no roteiro como elementos de uma lista de verificação, sem realmente dar voz à diversidade e à complexidade integrante e indissociável da personagem. Infelizmente, tudo conspira para que a produção do longa ofereça um produto que não passa de uma tentativa acanhada, do fabricante estadunidense de brinquedos Mattel, de promover uma identidade superficial e uma abordagem vazia junto ao empoderamento feminino.

No mundo cor-de-rosa e matriarcal desenhado pela direção, há uma oportunidade intrigante de transformar brinquedos em seres humanos. Mas a narrativa não reconhece plenamente a humanidade desses personagens, enfraquecendo, assim, sua premissa instigante. De acordo com o roteiro concebido, na busca por adequação às demandas contemporâneas de representatividade e capitalizar nas mídias sociais – esforço comercial que relega as críticas sociais genuínas a um segundo plano – a Mattel retratada parece perder de vista o verdadeiro sentido do reconhecimento e da valorização da individualidade e da diversidade.

A produção parece mais empenhada na transmissão de mensagens pré-fabricadas do que contar uma história envolvente e cativante. A criatividade e a arte são sacrificadas em favor de conversas rasas sobre temas sociais.

Lamentavelmente, questões associadas à famosa boneca, que deveriam ser encaradas como complexas e relevantes, são afogadas em um mar superficialidade. Perde-se a oportunidade de fazer de "Barbie" um veículo de crítica social poderosa e relevante, em meio a uma avalanche de conceitos mal explorados, entregues ao espectador numa caixa cor de rosa com conteúdo duvidoso e mal embrulhada.



Barbie - à beira do cinismo

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