Beni - No Meio do Caminho - O primeiro e único disco solo de Beni Borja

Fundador do Kid Abelha


Fundador do Kid Abelha, coautor de hits do grupo como Fixação e baterista de sua primeira formação, Beni (Carlos Beni Carvalho de Oliveira Borja) sempre rejeitou o título de “roqueiro”. Era músico, criador sobretudo. Na sua riquíssima playlist, convivem Jacques Brel, Deolinda e Jards Macalé; Herbie Mann, Cacique & Pajé e Vo Kuch; Frank Zappa, Lô Borges e Joaquin Sabina; Dave Burbeck, John Cale e Art Popular; Babatunda Olatunji, Pedro Abrunhosa e Itamar Assunção, entre centenas de outros.

Esse largo espectro manifestava-se também no produtor criativo que Beni foi, com passagens pelas gravadoras Universal Music, Sony Music, BMG, EMI Music e Warner e trabalhos realizados com artistas como Fernanda Abreu (SLA Radical Dance Club), Farofa Carioca (Moro no Brasil), Celso Blues Boy (Celso Blues Boy) e até o coro do Mosteiro de São Bento da Bahia (Inspirações do Claustro).

Descobriu talentos como Biquini Cavadão e Gabriel O Pensador. Criou seu próprio selo, Psicotronica, no início dos anos 2000, e por ele lançou Picassos Falsos (Novo Mundo) e Cris Braun (Atemporal).

No Meio do Caminho, fruto de uma década de trabalho, era, afinal, o seu projeto de expressão exclusivamente pessoal, uma saga sobre a qual a única coisa certa era que seria radicalmente autoral, marcada por autêntica liberdade criativa.

Em 2016, o repertório estava pronto, e o compositor, preparado para cantá-lo, mas a produção se arrastava com muitas indefinições. Foi quando o baixista Rian Batista (Cidadão Instigado), casado com a filha de Beni, a artista plástica e também cantora e compositora Julia Debasse, entrou em cena. Beni, cantando e tocando violões e guitarras, Sérgio Diab (Stratoman), nas guitarras, violões e vocais de apoio, Bruno Wanderley, na bateria, e Rian, no baixo e vocais.

Com temas e letras que escapam à trivialidade, as 10 canções do álbum compõem um extraordinário painel do atual massacre das nossas subjetividades, submetidas a fórmulas compradas prontas.

No início de 2020, o disco, com produção assinada por Rian e Diab, estava praticamente pronto, mas a pandemia chegou e adiou o lançamento. Beni finalizou e batizou o álbum e escolheu para a capa uma pintura da filha; um carro quebrado no meio da estrada e um homem que parece cogitar aflito sobre o que fazer.

Em dezembro de 2021, ele se preparava para, afinal, apresentar a obra ao público no início deste ano.

Então, na antevéspera do Natal, literalmente no meio do caminho, no trânsito, um infarto súbito levou Beni em segundos, mesmo tendo sido imediatamente socorrido.

Diferente de discos de artistas que tinham consciência de viver seus últimos dias, como o Black Star, de David Bowie, ou o Pink Moon, de Nick Drake, Beni não fazia ideia do trágico futuro próximo. No Meio do Caminho celebra a vida e apresenta um capítulo crucial de uma carreira sempre em mutação profissional, artística e musical. Tudo está refletido em um álbum plural e inclassificável, ao qual a prematura morte do autor confere um ar quase místico.



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