Gengibre - A bebida vence a timidez da plateia

O mix de carisma e a impudência


fotos: msenna

resenha: psales e msenna


Um bar – não menos frequente do que se pode imaginar – um lugar onde experiências de vida, sejam elas frustrantes ou profícuas, são proferidas à base de troca ou no formato de monólogo quando se encontra um bom ouvido. Numa certa quinta-feira do mês de junho de 2022, a boemia não começa na mesa de um bar, mas em uma sala de teatro configurada de modo a promover uma atmosfera de informalidade e regada à batida de uma raiz comestível – que, dentre outros benefícios, tem a capacidade de aumentar a temperatura do organismo – e que empresta o seu nome ao título do Stand Up Comedy ‘Gengibre’. Em meio à informalidade promovida pela desconstrução da quarta parede, a bebida vence a timidez da plateia que acaba se identificando com os atores como se fossem seus amigos de infância, transformando os sessenta minutos de espetáculo em momento de descontração durante o qual o espectador se permite diversificar o seu modelo de humor. Um formato que, dependendo da generosidade das dimensões do palco, caberia a introdução de algumas mesas e cadeiras de bar no cenário para serem ocupadas por espectadores, visando ao envolvimento, por completo, de toda a plateia em meio ao espetáculo.


O mix de carisma e a impudência de Pedro Benevides como ator e de Matheus Mad como redator do Porta dos Fundos que trazem consigo a irreverente essência do programa contrastam com o sonso aspecto comportamental do comediante João Raphael que agrega as qualidades de seus parceiros de palco à sua pseudo timidez.


O resultado da conjunção desses três atores trafega entre a objetividade, a subjetividade e a irracionalidade das relações sociais e promove a narrativa de histórias insólitas compartilhadas voluntariamente pela plateia que, diferentemente da reação de constrangimento esboçada frente à abordagem dos atores em espetáculos de humor, faz questão de se apresentar nominalmente em contribuição ao inexistente script dos inusitados e randômicos temas do espetáculo.


Ao final de cada apresentação, os espectadores são gentilmente convidados à continuidade da troca de experiências e à renovação das narrativas em um verdadeiro bar elencado pela produção, nas proximidades do teatro – cada um tão responsável pelas suas histórias quanto pelo pagamento pelo seu consumo.


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