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Resistência - um campo minado em tempos de polarização extrema

Atualizado: 30 de mar.

Cabe ao espectador colocar-se em modo de espera e perceber o desalinho entre a direção de Gareth Edwards e o zeitgeist atual

Resistência

resenha: psales e msenna


Resistência


Um prólogo transporta o espectador até a década de 2060, após o apocalipse cibernético – nos moldes de ‘O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final’, de 1991, dirigido por James Cameron, – quando a I.A. se encarrega de explodir Los Angeles sem qualquer aviso prévio ou motivo aparente.


Dando seguimento ao roteiro, o governo dos Estados Unidos se rebela, enviando o agente das forças especiais Joshua – interpretado por John David Washington – em uma missão clandestina para se infiltrar em um coletivo de adoradores de robôs visando à eliminação de seu líder – um cientista com ares divinos – configurando o que título do longa propõe: ‘Resistência’.


Os cinéfilos de plantão são capazes de identificar, na obra dirigida por Gareth Edwards, uma diversidade de referências que remetem a grandes produções cinematográficas, tais como: ‘Blade Runner’, ‘A.I. – Inteligência Artificial’, ‘Akira’ e ‘O Exterminador do Futuro’. Com isso, o ineditismo é relegado e a persecução por uma figura misteriosa e messiânica no Sudeste Asiático, define novos caminhos como se uma nova Guerra do Vietnã estivesse prestes a ser deflagrada.


O arco emocional do filme se estrutura na tentativa de se fazer crível a teoria da existência da essência humana nas máquinas. No entanto, a dinâmica da humanização das máquinas é tão insólita quanto uma ficção científica que, supostamente, trata da autonomia e do direito à existência, tanto de seres humanos quanto de inteligência artificial.


Por momentos, o filme tangencia um viés satírico religioso, patriota e belicoso, sendo conduzido de forma confusa, em meio a conceitos moralistas e conservadores – configurando um campo minado em tempos de polarização extrema.


‘Resistência’ está longe de ser lembrado pelos admiradores da sétima arte como o é ‘O Caçador de Andróides’, e se mostra carente de uma trilha sonora genuína e de uma qualidade fotográfica e sonora compatível com a tecnologia de imagem e som atuais. Da mesma forma, a construção dos personagens não deixa marcas no rol dos emblemáticos papéis dos filmes sci-fi com tendências vernianas.


Cabe ao espectador colocar-se em modo de espera e perceber o desalinho entre a direção de Edwards e o zeitgeist atual – um tanto deslocada e ansiosa para transmitir uma mensagem preventiva sobre o mundo das inteligências artificiais e as instituições que as adotam.


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