Turmalina 18-50 - O último endereço onde viveu João Cândido Felisberto

O espetáculo relembra os abusos sofridos pelos marinheiros negros até a primeira década do século passado, exalta a Revolta da Chibata, marco na luta por igualdade racial no país

Após apresentações no Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul com temporada contemplada pelo edital Rumos Itaú Cultural para homenagear o cinquentenário de morte do principal líder da Revolta da Chibata (1910), Turmalina 18-50 está de volta ao teatro. Destacando o tempo em que o Almirante Negro (como é chamado na música “Mestre Sala dos Mares”, de Aldir Blanc e João Bosco, imortalizada na voz de Elis Regina), viveu em São João de Meriti (RJ), cidade sede da companhia, a peça poderá ser vista dias 19, 20, 26 e 27 de novembro de 2021, no Teatro João Caetano, às 19h.

Com pesquisa de Luiz Antonio Simas, supervisão de Rodrigo França e texto e direção de Vinicius Baião, a montagem carrega em seu título o último endereço onde viveu João Cândido Felisberto – Rua Turmalina, Lote 18, Quadra 50 – e refaz os caminhos percorridos pelo líder como forma de celebrar sua história e combater o apagamento de sua memória. Sua relação com as águas é tratada de maneira poética e simbólica, evocando a marinha, a pesca, os portos e também São João Batista, santidade católica que instituiu o batismo pelas águas e que margeia a vida de João, nascido no dia consagrado ao santo e residente a maior parte de sua vida em uma cidade cujo nome é em homenagem ao padroeiro. Outra relação traçada pela peça é a possibilidade de caminhos dados pelas encruzilhadas, em uma referência direta a sua terra natal, Encruzilhada do Sul, na região do Vale do Rio Pardo (RS).

O espetáculo relembra os abusos sofridos pelos marinheiros negros até a primeira década do século passado, exalta a Revolta da Chibata, marco na luta por igualdade racial no país, denuncia o esquecimento intencional a que esta revolta e suas consequências foram submetidas e apresenta os últimos dias de João Cândido, um herói nacional pobre e esquecido, numa rua de terra na Baixada Fluminense.

Morto em 1969, apenas em 2008 João Cândido teve a anistia concedida pelo governo brasileiro, mesmo ano em que se inaugurou uma estátua em sua homenagem na Praça XV, na capital carioca. Por conta do cinquentenário de morte, em dezembro de 2019 passou a integrar o Livro de Heróis e Heroínas do Estado do Rio de Janeiro, e o Livro de Heróis de São João de Meriti. Falta ainda sua inclusão no Livro de Heróis da Pátria, cujo projeto de lei segue tramitando. Desta forma, celebrar sua história é também ação de reparação histórica consigo e com o próprio país.

FICHA TÉCNICA:

Dramaturgia e Direção: Vinicius Baião

Supervisão: Rodrigo França

Pesquisa: Luiz Antonio Simas

Elenco: Átila Bee, Gabriela Estolano, Graciana Valladares, Higor Nery, Leandro Fazolla e Madson Vilela

Cenografia: Cachalotte Matos

Figurino: Carol Barros

Preparação Corporal: Orlando Caldeira

Trilha Sonora, Direção Musical e Preparação Vocal: Kadú Monteiro

Iluminação: Ana Luzia de Simoni

Operação de Luz: Victor Tavares

Fotos: Stephany Lopez

Registro audiovisual: Guapoz

Assessoria de Imprensa: Alessandra Costa

Realização: Instituto Cultural Cerne e Cia Cerne

SERVIÇO:

TURMALINA 18 – 50

19, 20, 26 e 27 de novembro de 2021 – às 19:00

Teatro João Caetano

Praça Tiradentes, s/n - Centro, Rio de Janeiro - RJ

Ingressos:

Classificação indicativa: Livre

Duração: 80 minutos



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