A Pintura Branca e Preta, de Hélio Cabral: Livro reúne 24 pinturas marcadas pela tensão entre preto e branco
Por Paulo Sales
A Pintura Branca e Preta parte de uma oposição que poderia parecer elementar, mas logo revela sua complexidade. Preto e branco não aparecem como extremos destinados à conciliação. Permanecem em confronto, ocupando a superfície como forças incompatíveis que precisam coexistir sem perder a própria identidade. As 24 obras reunidas no livro se organizam a partir dessa fricção, e o olhar do espectador é submetido continuamente a ela.
As noções de fantasia, fantasma, visão e visionariedade podem ampliar a leitura dessas pinturas, mas não constituem sua sustentação principal. A densidade das obras está antes naquilo que acontece diretamente na superfície. O pensamento não vem de fora para explicar a pintura. Ele se produz na relação entre matéria, gesto, espaço e intervalo.

A insistência na tensão entre preto e branco pode produzir uma certa uniformidade quando observada em sequência. O princípio é forte, mas sua repetição exige variações internas capazes de impedir que a linguagem se torne procedimento previsível.
Essa questão não diminui o interesse do conjunto. Pelo contrário, estabelece o ponto exato em que sua ambição pode ser medida. Não basta sustentar o conflito entre duas cores. Cada pintura precisa transformar esse conflito em uma situação nova, com ritmo, densidade, silêncio e violência próprios. Quando isso acontece, a oposição cromática deixa de ser princípio abstrato e ganha comportamento.
O livro ganha densidade quando essa tensão deixa de ser um recurso e passa a determinar o próprio comportamento da pintura. Cada obra permanece diante do olhar como uma construção que recusou a tranquilidade do equilíbrio definitivo. A superfície se organiza, mas não repousa. A forma se afirma, mas continua ameaçada pelo gesto seguinte.
A Pintura Branca e Preta, de Hélio Cabral: Livro reúne 24 pinturas marcadas pela tensão entre preto e branco





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