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SOB A ÓTICA DO ESPECTADOR
ENTREVISTAS
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LIVROS

A proposta de Roteiros Extraordinários é transformar experiências vividas em mais de cinquenta destinos em histórias de viagem. O livro parte da constatação de que viajar raramente corresponde ao planejamento inicial, pois o acaso, os imprevistos e os encontros inesperados frequentemente alteram o percurso.
Editora:

Há uma pergunta que surge logo no começo do livro: é possível ser contra o sistema sem fazer parte dele?
A pergunta parece simples. Mas perguntas simples, como sabemos, são perigosíssimas. Normalmente começam com “é possível?” e terminam em filosofia, sociologia e alguém cancelando o cartão de crédito porque descobriu que até a camiseta anticapitalista custou dinheiro.
Editora: Buzz

Falsa Silhueta não parece interessada em oferecer ao leitor uma reflexão convencional sobre identidade ou sobre as máscaras que as pessoas utilizam no cotidiano. Reduzir a obra a uma discussão sobre aparência e essência seria limitar sua força, pois o livro ultrapassa o conflito entre aquilo que alguém mostra e aquilo que esconde.
Xeroque edição limitada
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Espermagedom usa a fecundação para questionar nossa obsessão por propósito
Espermagedom transforma a fecundação em uma aventura épica. Porque, aparentemente, quando você olha para um processo biológico envolvendo células microscópicas, fluidos e uma quantidade absurda de organismos que não vão chegar a lugar nenhum, a conclusão natural é: “Isso daria um ótimo filme de ação”. E, estranhamente, funciona. Não porque exista algum heroísmo escondido na reprodução humana, mas justamente porque não existe.
há 5 dias


Roteiros Extraordinários - O diário de bordo de um viajante sem filtro: E se o melhor da viagem não estiver no roteiro?
A proposta de Roteiros Extraordinários é transformar experiências vividas em mais de cinquenta destinos em histórias de viagem. O livro parte da constatação de que viajar raramente corresponde ao planejamento inicial, pois o acaso, os imprevistos e os encontros inesperados frequentemente alteram o percurso. Nesse sentido, o planejamento aparece apenas como ponto de partida para experiências que podem tomar direções completamente diferentes das previstas.
2 de set.


Dora: Quando a vida que vivemos deixa de caber na história que contamos
Há uma idade em que começamos a desconfiar das próprias certezas. Não necessariamente porque estejam erradas, mas porque, depois de tantos anos sustentando uma versão de nós mesmos, torna-se difícil continuar defendendo o personagem.
31 de ago.


Down with the System, Serj Tankian : Quando o Antissistema Vira Produto
A indústria cultural possui um talento extraordinário para ganhar dinheiro com aquilo que a critica. O capitalismo, nesse sentido, é um sujeito bastante tolerante: você pode falar mal dele durante duas horas, desde que compre o ingresso na bilheteria.
Uma música contra o consumo continua sendo um produto. Uma camiseta antissistema continua sendo uma camiseta. Uma autobiografia sobre a resistência ao sistema chega ao leitor através de uma editora, uma gráfica, uma distribuidor
10 de ago.


Anunciação - O Musical de Alceu Valença: Mais do Que Contar Alceu, o Espetáculo Escuta Suas Canções
A montagem não procura reconstruir a biografia do artista nem organizar sua trajetória em etapas previsíveis. Interessa menos a cronologia do que o impacto afetivo provocado por sua obra. O espetáculo escolhe acompanhar aquilo que a música desperta quando encontra diferentes vidas, permitindo que cada espectador reconheça ali uma parte da própria memória.
2 de ago.


Falsa Silhueta, de César Augusto de Carvalho: As Formas da Ilusão Coletiva
A sociedade apresentada pelo livro parece organizada por representações cuidadosamente construídas, nas quais discursos de justiça, equilíbrio e humanidade podem funcionar como fachadas capazes de ocultar contradições profundas. A silhueta transforma-se em um retrato oficial, uma imagem aceita publicamente e repetida até adquirir aparência de verdade. Enquanto isso, aquilo que ameaça essa construção permanece afastado, tratado como incômodo ou simplesmente deixado de lado.
30 de jul.


Meu Remédio: Mouhamed Harfouch transforma lembranças pessoais em uma narrativa universal
O espetáculo não segue o caminho de uma autobiografia convencional. Harfouch utiliza a própria história como matéria cênica, mas não para confiná-la a um relato pessoal. Quanto mais singular se torna sua experiência, mais ela encontra pontos de contato com quem acompanha a montagem.
17 de jul.


Klimt e Gaudí: O Impossível Existe - Quando a Contemplação Encontra o Espetáculo
Vivemos uma época desconfortável com pausas. Esperar incomoda. O silêncio constrange. A contemplação parece improdutiva. É como se tudo precisasse justificar sua existência oferecendo uma recompensa imediata. O café precisa render uma fotografia. A viagem precisa virar postagem. O jantar necessita de um enquadramento favorável. Até a felicidade parece insuficiente quando não encontra uma legenda convincente.
12 de jul.


Hamlet 16x8: O teatro como vírus contra a amnésia coletiva
Tem espetáculo que parece missa de sétimo dia de gente importante. Todo mundo entra na ponta do pé, diminui o volume da própria voz, acende uma velinha simbólica e sai convencido de que prestou um grande serviço à cultura. Uma espécie de reverência automática, dessas que confundem respeito com imobilidade. Que preguiça.
9 de jul.


Anatomia do Caos: A Força da Denúncia, o Limite da Investigação
Anatomia do Caos escolhe revisitar a condução da pandemia de Covid-19 no Brasil partindo da premissa de que recordar constitui um dever cívico. Sob esse aspecto, seria difícil estabelecer divergências. O negacionismo, a sabotagem das políticas sanitárias, a promoção de medicamentos ineficazes, a demora deliberada na aquisição de vacinas, as suspeitas de corrupção e o saldo de centenas de milhares de mortos permanecem registrados por um conjunto de evidências suficientemente r
2 de jul.


Carga viva, de Ana Rüsche: A ficção diante da repetição da História
Se alguém resolvesse resumir Carga viva em uma única frase, provavelmente acabaria escrevendo outro romance. Ana Rüsche reúne numa mesma narrativa a epidemia de HIV, a pandemia de covid, poesia, violência doméstica, negacionismo, crise climática, memória, desejo e uma misteriosa substância prateada que emerge no mar. Em mãos menos seguras, essa combinação produziria um livro com a harmonia de uma reunião de condomínio na qual todos decidem falar ao mesmo tempo.
28 de jun.


Supergirl e a melancolia dos sobreviventes
Kara Zor-El ocupou uma posição curiosa dentro do imaginário da DC. Nunca desfrutou da centralidade mítica do Superman, tampouco carregou o fascínio sombrio reservado ao Batman. Permaneceu numa espécie de território intermediário, suficientemente próxima de um dos maiores símbolos da cultura pop para ser constantemente comparada a ele, mas distante o bastante para que sua identidade fosse tratada como derivação. Supergirl consiste em compreender que essa condição não represent
25 de jun.


Toy Story 5: O dia em que os brinquedos perceberam que perderam uma guerra sem sequer terem sido convidados para a batalha
Existe uma crueldade quase cômica no destino dos brinquedos de "Toy Story". Durante décadas, eles passaram todo o tempo preocupados com o rival errado. Primeiro foi o brinquedo mais novo, mais brilhante, mais tecnológico, aquele que chegava dentro de uma caixa reluzente com cheiro de fábrica e a arrogância de quem sabia que seria o presente mais desejado da manhã de Natal. Depois vieram os videogames, os aparelhos eletrônicos e as novas modas que transformavam antigos tesouro
18 de jun.


Querida Mamãe: Os fantasmas que continuam sentados à mesa
A direção de Pedro Neschling demonstra respeito pela inteligência do texto e evita transformar a peça em um tribunal sentimental, no qual o público apenas escolhe quem merece absolvição. Sua condução aposta nos silêncios, nas pausas e nos pequenos deslocamentos de humor que revelam aquilo que as personagens não conseguem admitir.
14 de jun.


Ultimatum: A última inquietação de Domingos de Oliveira
Ao acompanhar suas tentativas de criar uma obra teatral, o espectador presencia também suas tentativas de organizar lembranças, afetos e expectativas. A peça estabelece um paralelo constante entre esses dois movimentos. Construir uma narrativa e construir uma identidade tornam-se atividades inseparáveis.
Sob os fragmentos, os desvios e as histórias sobrepostas, encontra-se uma investigação persistente sobre a necessidade humana de atribuir sentido à experiência.
11 de jun.


'Segredos para Mexer o Doce' por Izabela Toledo: O doce, o silêncio e as feridas invisíveis
Em Segredos para Mexer o Doce, Izabela Toledo constrói uma escrita que seduz pela aparência de simplicidade, mas opera em uma camada psicológica muito mais complexa do que a superfície delicada permite perceber. O livro envolve o leitor em açúcar emocional, lembranças domésticas e pequenos rituais cotidianos que parecem inocentes, embora revelem uma compreensão aguda sobre carência humana, necessidade de acolhimento e medo do abandono. Nada surge de maneira agressiva.
28 de mai.


Uma Vida de Amizade: A invisibilidade social das mulheres maduras
A peça escrita por Gustavo Pinheiro parte de uma premissa aparentemente simples: o reencontro anual de três amigas que dividiram sonhos e dificuldades nos anos 1990, quando trabalhavam como modelos em Paris. Rapidamente, porém, revela que seu verdadeiro tema nunca foi apenas amizade. O que está em cena é o confronto entre permanência e desaparecimento. Entre aquilo que o tempo modifica e aquilo que ele jamais consegue destruir completamente.
18 de mai.


“Mundo Pixar”, BarraShopping: O encanto que continua vivo
Cada ambiente foi pensado para ativar camadas emocionais distintas. O visitante entra no quarto de Andy e, quase sem perceber, se vê reorganizando lembranças próprias, não necessariamente idênticas às dos filmes, mas conectadas a elas por sensações comuns. A memória não se limita a reproduzir o passado, ela o reconstrói com afeto, e a exposição atua como um gatilho gentil desse processo.
16 de mai.


As Aventuras de Pinóquio de Carlo Collodi: O livro que a Disney suavizou
A metáfora do nariz crescendo talvez seja uma das imagens mais cruéis e precisas já criadas na literatura. A mentira não deforma apenas a relação do indivíduo com os outros. Ela corrói quem mente. Quanto mais Pinóquio tenta fugir da verdade sobre si mesmo, mais grotesca sua aparência se torna. A deformação exterior apenas revela algo que já aconteceu internamente.
15 de mai.


“Obsessão” Mostra como o machismo sempre flertou com o terror
“Obsessão” é aquele tipo de filme que começa parecendo uma comédia romântica sobre gente emocionalmente esquisita e termina como um colapso psicológico embalado por trauma, carência afetiva e absoluta recusa masculina em fazer terapia. E existe algo profundamente assustador em um homem inseguro que, em vez de amadurecer emocionalmente, ganha acesso à magia.
13 de mai.
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