Sob o Olhar do Guardião: Thriller religioso ou história repetida?
- circuitogeral

- há 2 dias
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O leitor é convidado a confiar, sem questionar

Sob o Olhar do Guardião: Thriller religioso ou história repetida?
Sob o Olhar do Guardião começa como uma promessa de revelação: a Igreja guarda um segredo. A expectativa é de algo ousado, capaz de desafiar séculos de cristianismo. Na prática, o livro entrega um thriller religioso previsível, repleto de clichês e conspiracionismo.
A obra segue o conhecido roteiro do gênero: templários, Maria Madalena injustiçada, a Igreja Católica como vilã milenar e um Jesus com uma vida pessoal mais complexa do que o Novo Testamento sugere. A narrativa sugere uma grande revelação, mas se aproxima mais de um podcast conspiratório narrado com voz grave às três da manhã. Tudo é descrito como “segredo ancestral”, “verdade proibida” ou “conhecimento oculto”, sem aprofundamento ou reflexão real.
O Cristo Redentor é transformado em cenário de caça ao tesouro espiritual. O monumento deixa de ser símbolo de fé ou identidade cultural e se torna apenas mais uma pista no enredo. De forma similar, a fé, a história e a teologia são tratadas como obstáculos ou figurantes, ignoradas em favor da ação e das aventuras globais dos personagens. Brasil, Paris e Israel servem mais de cenário turístico do que de contexto narrativo, e as viagens no tempo e flashbacks históricos aparecem como truques narrativos mal explicados: o leitor é convidado a confiar, sem questionar.
A tentativa de rebeldia do livro é superficial. Critica a Igreja sem confrontar a fé, utilizando um tom seguro e palatável ao mercado editorial. Ainda assim, Sob o Olhar do Guardião cumpre seu papel de entretenimento. É uma leitura leve, divertida e capaz de despertar curiosidade, mas não provoca reflexão profunda, transformação ou crise existencial.
No final, o romance não faz o leitor perder a fé. No máximo, faz perder a sensação de novidade. O verdadeiro efeito do livro está em apresentar as mesmas conspirações de sempre de forma convincente, como se fossem revelações inéditas. Uma leitura prazerosa, mas não reveladora, divertida, mas não transformadora.







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