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SOB A ÓTICA DO ESPECTADOR
ENTREVISTAS
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LIVROS

Publicado em 1926, O assassinato de Roger Ackroyd, de Agatha Christie, permanece como uma das obras mais sofisticadas da literatura policial. Cem anos depois, seu mérito vai além da solução surpreendente: está na maneira como a autora manipula a percepção do leitor, administra informações e transforma a própria narrativa em objeto de suspeita.
Globo Livros

As antologias de prosa e poesia de Fernando Pessoa colocam em evidência a complexidade da identidade humana. Sua escrita investiga as contradições do indivíduo, a instabilidade das certezas e a distância entre a consciência e a imagem que cada pessoa apresenta ao mundo. A multiplicidade de suas vozes resulta de uma investigação literária sofisticada, não de uma tentativa banal de agradar a todos.
Tinta da China

A organização de Jerónimo Pizarro amplia o acesso à produção pessoana ao reunir textos, poemas, fragmentos e documentos que permitem acompanhar diferentes aspectos dessa obra. O material oferece ao leitor a oportunidade de ultrapassar interpretações previsíveis e compreender a dimensão intelectual de um escritor cuja relevância não depende de elogios automáticos.
Tinta da China
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O Funcionário Que Pede Para Não Ser Identificado: Uma sátira que se perde na própria engrenagem
A ideia de submeter a criação artística a um departamento burocrático é suficientemente absurda para dispensar grandes esforços de imaginação. Michel Melamed, autor e diretor de O funcionário que pede para não ser identificado, parte dessa premissa para construir uma sátira ao sistema de validação da arte, às exigências do mercado e à crescente disposição dos artistas para adaptar o próprio trabalho às condições de sua sobrevivência.
há 4 dias


Abya Yala - Minhas Viagens pela América Latina: O teatro como espaço de reconhecimento latino-americano
O mérito de Abya Yala - Minhas Viagens pela América Latina está em transformar uma experiência pessoal em uma reflexão sobre pertencimento, solidariedade e descoberta. Ao recuperar a viagem que iniciou em 2011, quando partiu sozinho para a Argentina sem dominar o espanhol, Igor Veloso revela que conhecer outros lugares significa, antes de tudo, colocar-se diante do desconhecido. É preciso lidar com a solidão, aceitar a ajuda de estranhos e descobrir que, mesmo quando as palav
25 de out.


Meu Filho é um Musical: A Administração da Ausência
Toda homenagem revela menos sobre quem é homenageado do que sobre os receios de quem homenageia. Neste caso, a produção transmite uma inquietação constante diante da possibilidade de que a complexidade de Paulo Gustavo perturbe a imagem confortável consolidada após sua morte. Em lugar do artista que fazia do humor um instrumento para revelar contradições humanas, instala-se um personagem progressivamente transformado em consenso. A irreverência converte-se em virtude exemplar
6 de out.


E Se Fôssemos Baleias? - A Funcionária do Mês
“E Se Fôssemos Baleias?” parte de uma situação de trabalho marcada pela exaustão para alcançar uma questão mais profunda: o momento em que a pessoa deixa de perceber o próprio corpo como território de existência e passa a tratá-lo como instrumento de desempenho.
26 de set.


Dora: Quando a vida que vivemos deixa de caber na história que contamos
Há uma idade em que começamos a desconfiar das próprias certezas. Não necessariamente porque estejam erradas, mas porque, depois de tantos anos sustentando uma versão de nós mesmos, torna-se difícil continuar defendendo o personagem.
31 de ago.


Gente de Classe e o presente que se passa por futuro
Nova Canaã é confortável, organizado e protegido, mas sua segurança depende da exclusão. O muro materializa a distinção entre quem pertence e quem é visto como ameaça. A tentativa de criar um espaço autossuficiente revela justamente sua dependência do mundo exterior: a desigualdade não desaparece atrás do portão, apenas deixa de ser percebida por quem está protegido. A segurança produz vigilância; a tecnologia, avaliação; e a organização do cotidiano transforma a existência e
20 de ago.


Anunciação - O Musical de Alceu Valença: Mais do Que Contar Alceu, o Espetáculo Escuta Suas Canções
A montagem não procura reconstruir a biografia do artista nem organizar sua trajetória em etapas previsíveis. Interessa menos a cronologia do que o impacto afetivo provocado por sua obra. O espetáculo escolhe acompanhar aquilo que a música desperta quando encontra diferentes vidas, permitindo que cada espectador reconheça ali uma parte da própria memória.
2 de ago.


Meu Remédio: Mouhamed Harfouch transforma lembranças pessoais em uma narrativa universal
O espetáculo não segue o caminho de uma autobiografia convencional. Harfouch utiliza a própria história como matéria cênica, mas não para confiná-la a um relato pessoal. Quanto mais singular se torna sua experiência, mais ela encontra pontos de contato com quem acompanha a montagem.
17 de jul.


Hamlet 16x8: O teatro como vírus contra a amnésia coletiva
Tem espetáculo que parece missa de sétimo dia de gente importante. Todo mundo entra na ponta do pé, diminui o volume da própria voz, acende uma velinha simbólica e sai convencido de que prestou um grande serviço à cultura. Uma espécie de reverência automática, dessas que confundem respeito com imobilidade. Que preguiça.
9 de jul.


Querida Mamãe: Os fantasmas que continuam sentados à mesa
A direção de Pedro Neschling demonstra respeito pela inteligência do texto e evita transformar a peça em um tribunal sentimental, no qual o público apenas escolhe quem merece absolvição. Sua condução aposta nos silêncios, nas pausas e nos pequenos deslocamentos de humor que revelam aquilo que as personagens não conseguem admitir.
14 de jun.


Ultimatum: A última inquietação de Domingos de Oliveira
Ao acompanhar suas tentativas de criar uma obra teatral, o espectador presencia também suas tentativas de organizar lembranças, afetos e expectativas. A peça estabelece um paralelo constante entre esses dois movimentos. Construir uma narrativa e construir uma identidade tornam-se atividades inseparáveis.
Sob os fragmentos, os desvios e as histórias sobrepostas, encontra-se uma investigação persistente sobre a necessidade humana de atribuir sentido à experiência.
11 de jun.


Uma Vida de Amizade: A invisibilidade social das mulheres maduras
A peça escrita por Gustavo Pinheiro parte de uma premissa aparentemente simples: o reencontro anual de três amigas que dividiram sonhos e dificuldades nos anos 1990, quando trabalhavam como modelos em Paris. Rapidamente, porém, revela que seu verdadeiro tema nunca foi apenas amizade. O que está em cena é o confronto entre permanência e desaparecimento. Entre aquilo que o tempo modifica e aquilo que ele jamais consegue destruir completamente.
18 de mai.


O Homem Decomposto: Quando a realidade aprende a funcionar sem sentido
Escrito por Matéi Visniec e dirigido por Ary Coslov, o espetáculo apresenta uma sequência de histórias rápidas, surpreendentes e, às vezes, desconcertantes. Pessoas que criam barreiras invisíveis para se proteger. Uma cidade ameaçada por borboletas nada delicadas. Soluções radicais para apagar a dor. Situações improváveis que, de algum modo, dizem muito sobre o presente.
22 de abr.


Charles Aznavour: Um romance inventado - A reescrita da vida
A estrutura fragmentada aproxima realidade e imaginação, sem hierarquizar uma sobre a outra. A invenção, aqui, não funciona apenas como recurso estético, mas como estratégia de análise: ao alterar, o texto revela. Ao distorcer, ilumina aspectos profundos da experiência humana, sobretudo as relações entre identidade, memória e representação.
19 de abr.


Entre o mito e o protocolo: Diana - A Princesa do Povo
O espetáculo tenta humanizar a figura, deslocando o foco do ícone para a mulher. A intenção é legítima. O problema é que essa abordagem já se tornou padrão nas narrativas recentes sobre a realeza britânica. Falta tensão nessa escolha. Falta um ponto de vista que reorganize o material em vez de apenas repeti-lo com competência.
12 de abr.


Duvido: O perigo de pensar demais
Há narrativas que não se sustentam pela ação, mas por uma tensão silenciosa. Aquela que existe entre o que se deseja ser e o que se consegue sustentar diante do olhar do outro. “Duvido” habita exatamente esse espaço. Não se organiza como uma história linear, mas como um retrato psicológico em movimento, quase um estudo de uma consciência que se desfaz enquanto tenta se afirmar.
6 de abr.


A liberdade contida de “Uma vida em cores”
Rosamaria Murtinho entra em cena aos 93 anos interpretando Iris Apfel. Isso, por si só, já deveria bastar. Há algo incontornável em ver alguém dessa idade em plena atividade, lúcida, ocupando o palco com presença. É uma experiência que dispensa mediações mais óbvias, como trilhas emotivas ou construções simbólicas excessivas. Ainda assim, o espetáculo parece desconfiar dessa força e insiste em explicá-la, reforçá-la, guiá-la.
25 de mar.


A.M.I.G.A.S. - Entre o riso fácil e o vazio emocional
Apresenta um tema potencialmente profundo, mas sua execução não consegue explorar esse potencial de forma eficaz.
21 de mar.


Diana - A Princesa do Povo: Descubra o musical que traz a história da princesa ao Brasil
Musical inspirado na trajetória de Diana, Princess of Wales. A jovem que entrou para a monarquia britânica como promessa de conto de fadas rapidamente descobriu que a realidade envolvia protocolos rígidos, exposição permanente e expectativas quase impossíveis de sustentar.
26 de fev.


A Sabedoria dos Pais: Humor, amor e elegância
Escrita e dirigida por Miguel Falabella, a peça parece ter saído direto de um arquivo da Globo: diálogos claros, conflitos reconhecíveis e drama fácil de digerir. Separação, envelhecimento e reinvenção afetiva são tratados com delicadeza e humor, como uma receita de pão de queijo que agrada a todos. A obra evita qualquer atrito desnecessário e transforma experiências universais em momentos de identificação imediata.
24 de jan.
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