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SOB A ÓTICA DO ESPECTADOR
ENTREVISTAS
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LIVROS

A proposta de Roteiros Extraordinários é transformar experiências vividas em mais de cinquenta destinos em histórias de viagem. O livro parte da constatação de que viajar raramente corresponde ao planejamento inicial, pois o acaso, os imprevistos e os encontros inesperados frequentemente alteram o percurso.
Editora:

Há uma pergunta que surge logo no começo do livro: é possível ser contra o sistema sem fazer parte dele?
A pergunta parece simples. Mas perguntas simples, como sabemos, são perigosíssimas. Normalmente começam com “é possível?” e terminam em filosofia, sociologia e alguém cancelando o cartão de crédito porque descobriu que até a camiseta anticapitalista custou dinheiro.
Editora: Buzz

Falsa Silhueta não parece interessada em oferecer ao leitor uma reflexão convencional sobre identidade ou sobre as máscaras que as pessoas utilizam no cotidiano. Reduzir a obra a uma discussão sobre aparência e essência seria limitar sua força, pois o livro ultrapassa o conflito entre aquilo que alguém mostra e aquilo que esconde.
Xeroque edição limitada
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O que é Arte? Com a palavra, o artista de Alvaro Tallarico: Afinal, quem entendeu?
Arte tem um talento particular para transformar uma experiência simples em um teste de inteligência. Uma pintura pode ocupar uma parede inteira e, ainda assim, deixar o visitante diante dela com a sensação desagradável de que todos receberam o manual de instruções, menos ele. Então surgem as explicações: experiência, corpo, percepção, ressignificação.
há 3 dias


Roteiros Extraordinários - O diário de bordo de um viajante sem filtro: E se o melhor da viagem não estiver no roteiro?
A proposta de Roteiros Extraordinários é transformar experiências vividas em mais de cinquenta destinos em histórias de viagem. O livro parte da constatação de que viajar raramente corresponde ao planejamento inicial, pois o acaso, os imprevistos e os encontros inesperados frequentemente alteram o percurso. Nesse sentido, o planejamento aparece apenas como ponto de partida para experiências que podem tomar direções completamente diferentes das previstas.
2 de set.


Down with the System, Serj Tankian : Quando o Antissistema Vira Produto
A indústria cultural possui um talento extraordinário para ganhar dinheiro com aquilo que a critica. O capitalismo, nesse sentido, é um sujeito bastante tolerante: você pode falar mal dele durante duas horas, desde que compre o ingresso na bilheteria.
Uma música contra o consumo continua sendo um produto. Uma camiseta antissistema continua sendo uma camiseta. Uma autobiografia sobre a resistência ao sistema chega ao leitor através de uma editora, uma gráfica, uma distribuidor
10 de ago.


Falsa Silhueta, de César Augusto de Carvalho: As Formas da Ilusão Coletiva
A sociedade apresentada pelo livro parece organizada por representações cuidadosamente construídas, nas quais discursos de justiça, equilíbrio e humanidade podem funcionar como fachadas capazes de ocultar contradições profundas. A silhueta transforma-se em um retrato oficial, uma imagem aceita publicamente e repetida até adquirir aparência de verdade. Enquanto isso, aquilo que ameaça essa construção permanece afastado, tratado como incômodo ou simplesmente deixado de lado.
30 de jul.


Xingu e outros contos: A ironia de Edith Wharton diante de uma sociedade de aparências
A leitura de Xingu e outros contos, de Edith Wharton, revela uma crítica social sofisticada que ultrapassa o contexto histórico em que a obra foi escrita. A autora observa com precisão os comportamentos de uma elite preocupada em preservar sua imagem, expondo como a busca por prestígio, reconhecimento e aceitação pode levar indivíduos a construir identidades baseadas mais na aparência do que na autenticidade.
15 de jul.


Carga viva, de Ana Rüsche: A ficção diante da repetição da História
Se alguém resolvesse resumir Carga viva em uma única frase, provavelmente acabaria escrevendo outro romance. Ana Rüsche reúne numa mesma narrativa a epidemia de HIV, a pandemia de covid, poesia, violência doméstica, negacionismo, crise climática, memória, desejo e uma misteriosa substância prateada que emerge no mar. Em mãos menos seguras, essa combinação produziria um livro com a harmonia de uma reunião de condomínio na qual todos decidem falar ao mesmo tempo.
28 de jun.


'Segredos para Mexer o Doce' por Izabela Toledo: O doce, o silêncio e as feridas invisíveis
Em Segredos para Mexer o Doce, Izabela Toledo constrói uma escrita que seduz pela aparência de simplicidade, mas opera em uma camada psicológica muito mais complexa do que a superfície delicada permite perceber. O livro envolve o leitor em açúcar emocional, lembranças domésticas e pequenos rituais cotidianos que parecem inocentes, embora revelem uma compreensão aguda sobre carência humana, necessidade de acolhimento e medo do abandono. Nada surge de maneira agressiva.
28 de mai.


As Aventuras de Pinóquio de Carlo Collodi: O livro que a Disney suavizou
A metáfora do nariz crescendo talvez seja uma das imagens mais cruéis e precisas já criadas na literatura. A mentira não deforma apenas a relação do indivíduo com os outros. Ela corrói quem mente. Quanto mais Pinóquio tenta fugir da verdade sobre si mesmo, mais grotesca sua aparência se torna. A deformação exterior apenas revela algo que já aconteceu internamente.
15 de mai.


“A Modernidade Caiu na Rede: A arte, a cultura e a economia no mundo da Inteligência Artificial”, de Armando Avena: A Sociedade entregou a alma ao algoritmo em troca de notificações
A pergunta que atravessa a obra é simples e, exatamente por isso, profundamente perturbadora: em que momento a humanidade aceitou que empresas privadas se apropriassem de séculos de conhecimento coletivo para transformá-los em mercadoria? A sensação é semelhante à de passar décadas construindo uma imensa biblioteca pública e, de repente, descobrir que alguém trocou as fechaduras, instalou catracas na entrada e passou a decidir quais livros merecem existir.
9 de mai.


Agressão: o desconforto que a gente insiste em chamar de exceção
A obra se apresenta como investigação, mas funciona, na prática, como confronto direto. Não se limita a organizar dados, números e estatísticas frias que caberiam perfeitamente em relatórios técnicos, daqueles que impressionam mais pela aparência do que pelo efeito real. O que a autora faz é deslocar esses números do papel para o corpo. Ela devolve rosto, voz e hesitação àquilo que costuma ser tratado como abstração. É como se cada gráfico ganhasse pulso.
29 de abr.


“Mobilidade 5.0” de Daniel R. Schnaider - A fé inabalável no transporte do futuro
O livro já abre com essa promessa grandiosa de que a humanidade vai sair do cavalo e chegar até Marte. O leitor imediatamente pensa: “ótimo, finalmente vou entender como resolver meu problema mais urgente, que é o ônibus da linha 474 às 18h”. Mas aí o texto começa a falar de inteligência artificial, carro autônomo, metaverso e cidades inteligentes, e você começa a suspeitar que, em algum momento, alguém confundiu mobilidade urbana com roteiro de filme da Marvel com orçamento
23 de abr.


Oswaldo Massaini: o fabricante de emoções (Volume 1, 2 e 3): A engenharia do afeto
A trilogia não oferece respostas confortáveis. Também não busca julgamento direto. O que ela propõe é uma observação mais atenta: sentimentos podem ser induzidos com mais facilidade do que se imagina. E, talvez, o mais inquietante seja perceber o quanto essa indução pode passar despercebida.
17 de abr.


“Brasil no Espelho - Um Guia para Entender o Brasil e os Brasileiros” de Felipe Nunes: Um espelho incompleto
Reduzir o brasileiro a padrões mensuráveis pode parecer moderno e sofisticado. Mas essa abordagem carrega a suposição de que números são capazes de explicar tudo. Não são. O país que dança, improvisa, exagera e se contradiz o tempo todo escapa de qualquer tentativa de organização total. Há sempre algo que fica de fora.
4 de abr.


Na Zona Leste: A arte do cotidiano invisível
Um olhar atento sobre o cotidiano que parece simples, mas carrega uma força silenciosa. Entre pausas e vazios, o livro transforma o banal em narrativa e a Zona Leste em linguagem. Sem clímax evidente, sem dramatização exagerada, mas com uma elegância provocadora que faz o leitor perceber o extraordinário no ordinário.
26 de mar.


“A Esquerda que Não Teme Dizer Seu Nome”, de Vladimir Safatle: A política do risco e seus limites
O livro nasce de um impulso legítimo. Ele busca romper com a apatia, recuperar a coragem política e reacender o desejo por mudanças profundas. Há uma energia incômoda em suas páginas, algo que impede a acomodação. Ao criticar a adaptação excessiva e o medo como eixo da ação política, Vladimir Safatle identifica com precisão um traço marcante do nosso tempo: a naturalização de horizontes estreitos.
18 de mar.


Bastidores da Ciência: Erros, acasos e curiosidades do cotidiano científico de Leandro Lobo
Em prática, é como assistir a um cientista derramando reagentes pelo laboratório e explicando cada desastre com a serenidade de quem descreve a previsão do tempo: fascinante e tragicômico. Lobo nos mostra que a ciência é feita de erros, acasos e dilemas éticos; eu garanto que a leitura faz você imaginar um Nobel deitado no chão do laboratório, gritando "era só isso mesmo?" enquanto uma pipeta escapa com vontade própria.
6 de mar.


Um Jardim para Tchekhov: Entre Reverência e Risco
Há inteligência. Há repertório. Há controle técnico. O que falta é aquela decisão meio irresponsável que faz a obra sair do lugar comum culto e entrar na zona de risco. Porque Tchekhov não é apenas melancolia; é dinamite emocional camuflada de chá da tarde. Quando essa dinamite não explode, sobra apenas o serviço de chá.
No contexto literário brasileiro, Um jardim para Tchekhov ocupa um lugar curioso. Não é experimental o suficiente para chocar, nem comercial o suficiente par
25 de fev.


"Folhetim" de César Augusto de Carvalho - Literatura inteligente e prosa contida
Os temas são conhecidos: escritores em crise, sempre eles, decadência, desejo inexplicável, ambientes culturais povoados por gente interessante e insuportável ao mesmo tempo. Ou seja, qualquer festival literário depois do segundo chope. Flipando em Paraty acerta justamente por não romantizar esse universo. O glamour é desmontado com ironia, como quem diz “sim, tem poesia, mas também tem fila, egos inflados e alguém falando alto sobre um livro que claramente não leu”.
6 de fev.


“O Ano Um” de Renata Weber: Quando Inovação se Torna Pretensão
O hibridismo do livro, que mistura texto, som e imagem, remete a projetos escolares nos quais se combinam aquarela, fantoches e música eletrônica: confuso para o leitor, mas digno de aplausos protocolares. O livro sonoro, com percussão e guitarra, mais parece uma banda de garagem tentando impressionar a sogra do que uma experiência literária sensível.
30 de jan.


Sob o Olhar do Guardião: Thriller religioso ou história repetida?
A tentativa de rebeldia do livro é superficial. Critica a Igreja sem confrontar a fé, utilizando um tom seguro e palatável ao mercado editorial. Ainda assim, Sob o Olhar do Guardião cumpre seu papel de entretenimento. É uma leitura leve, divertida e capaz de despertar curiosidade, mas não provoca reflexão profunda, transformação ou crise existencial.
No final, o romance não faz o leitor perder a fé. No máximo, faz perder a sensação de novidade.
25 de jan.
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