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“O Ano Um” de Renata Weber: Quando Inovação se Torna Pretensão

Se o objetivo fosse realmente lutar contra o esquecimento, seria necessário algo que prendesse a atenção e despertasse emoção no leitor

O Ano Um

“O Ano Um” de Renata Weber: Quando Inovação se Torna Pretensão


“O Ano Um”, de Renata Weber, se apresenta como um projeto ousado, mas logo revela-se um exercício de pretensão disfarçada de audácia. A promessa de inovação, com folhas soltas, monotipias, trilha sonora e QR Code, se transforma em um Pinterest mal-humorado em papel. A ideia de “embaralhar a narrativa” para representar a memória que se esvai parece menos Kafka e mais como alguém que perdeu um caderninho de anotações e agora chora no sofá.


A protagonista, Regina, registra minuciosamente pequenas migalhas de sua vida para “resistir ao desaparecimento”. Mas listas de supermercado não bastam para capturar a essência da existência. Se o objetivo fosse realmente lutar contra o esquecimento, seria necessário algo que prendesse a atenção e despertasse emoção no leitor.


O hibridismo do livro, que mistura texto, som e imagem, remete a projetos escolares nos quais se combinam aquarela, fantoches e música eletrônica: confuso para o leitor, mas digno de aplausos protocolares. O livro sonoro, com percussão e guitarra, mais parece uma banda de garagem tentando impressionar a sogra do que uma experiência literária sensível.


O aspecto gráfico, com folhas soltas convidando o leitor a “embaralhar lembranças”, soa mais como um labirinto sem mapa do que como ousadia estética. O que se deseja ao ler é algo que mereça ser lembrado, não reorganizado de forma confusa.


Se houvesse um prêmio para o maior número de boas intenções mal resolvidas em um único volume, “O Ano Um” seria imbatível. O talento verdadeiro, aquele capaz de nos fazer rir, chorar ou refletir, permanece ausente. Ler este livro é como assistir a alguém tentando impressionar na ópera com fantasia de carnaval: esforço excessivo, impacto zero e risco constante de tropeçar na própria pretensão.


Em suma, “O Ano Um” não desaparece. Ele permanece na estante, lembrando que dispersão não é profundidade e que inovação sem conteúdo é, acima de tudo, autoengano.


Ano

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