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Bodas de Sangre e Suite Flamenca: Entre o Sangue e o Fogo

O branco de um vestido de noiva costuma carregar uma promessa. Nele, a imaginação coletiva deposita séculos de rituais, sonhos e expectativas: flores escolhidas com cuidado, votos sussurrados diante de testemunhas e a persistente crença de que o amor pode ser acomodado dentro das formas seguras de uma cerimônia. Desde sempre, tentamos convencer o coração a aceitar as regras que a sociedade escreve para ele.


É nesse ponto que Bodas de Sangre abre sua ferida. A tragédia de Federico García Lorca, recriada por Antonio Gades em uma das mais importantes obras da história do flamenco cênico, desmonta a ideia do casamento como um destino de paz. Sob o tecido branco da noiva pulsa uma memória impossível de apagar; por trás das palavras de celebração, sobrevivem desejos antigos, rivalidades e forças que nenhuma convenção social consegue silenciar.


Nesse universo, o amor não aparece como refúgio, mas como um impulso ancestral, arrebatador e destrutivo. Os personagens caminham em direção ao próprio destino com a consciência daqueles que reconhecem o abismo diante dos seus passos, mas já não conseguem alterar a direção da própria caminhada. É justamente essa contradição que mantém a obra de Lorca eternamente atual: mudam os tempos, transformam-se as leis e os costumes, mas o ser humano continua enfrentando sentimentos que desafiam qualquer tentativa de controle.


Bodas de Sangre e Suite Flamenca

Na adaptação dramatúrgica de Alfredo Mañas, a poesia deixa as palavras e encontra morada nos corpos. A dança torna-se linguagem daquilo que não pode ser dito. 


Ao retornar ao Brasil, a Compañía Antonio Gades apresenta uma criação que transformou a presença do flamenco nos grandes palcos do mundo, demonstrando que a dança pode narrar tragédias com a mesma potência de um texto teatral e que o gesto humano, quando atravessado pela verdade, pode ser tão cortante quanto uma lâmina.


Ao lado dessa obra monumental, surge Suite Flamenca, um mosaico de diferentes atmosferas e tradições do flamenco. Criada por Antonio Gades, a peça percorre diversos estilos, da introspecção austera da Soleá ao caráter festivo e vibrante da Rumba.


Assim, o público é convidado a atravessar duas faces de uma mesma alma artística. De um lado, a tragédia em que o desejo rompe as fronteiras impostas pelo mundo; do outro, a celebração da identidade flamenca em sua mais pura diversidade. Duas obras unidas pela visão de Antonio Gades, um artista que compreendeu que a grande dança não nasce da simples perfeição técnica, mas daquilo que existe de mais frágil, intenso e profundamente humano.


Rio de Janeiro

Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Datas e horários:

19/06/2026 – 19h (sexta-feira)

20/06/2026 – 20h (sábado)

21/06/2026 – 15h  (domingo)

Preços:

Frisa/Camarote: R$ 2.700,00 (6 lugares)

Plateia/Balcão Nobre: R$ 450,00

Balcão Superior: R$ 250,00

Galeria: R$ 150,00

Ingressos Populares: R$ 50,00 (ingressos limitados)


São Paulo

Local: Teatro Bradesco

Datas e horários:

23/06/26 – 20h30 (terça-feira)

24/06/26 – 20h30 (quarta-feira)

Preços:

Plateia (A a N) – R$450

Plateia (O a W) – R$350

Frisa Mezanino – R$250

Frisa Central – R$150

Balcão Nobre – R$200

Frisa Superior – R$120

Camarote – R$280

Ingressos Populares – R$50


Bodas de Sangre e Suite Flamenca: Entre o Sangue e o Fogo


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