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Carol Biazin, "Assumo os Riscos": Nenhuma escolha vem com garantias

há 1 dia
2 min de leitura

“Assumo os Riscos” marca o encerramento do ciclo de “No Escuro, Quem É Você?” e transforma mudança, memória, desejo e incerteza no eixo de um EP que compreende o risco não como impulso, mas como disposição para agir mesmo diante da ausência de garantias. Ao longo das seis faixas, Carol Biazin desenvolve a tensão entre o desejo de controlar a própria trajetória e a necessidade de aceitar que viver implica lidar com aquilo que não pode ser previsto. “Morrer de Viver” concentra essa contradição ao confrontar a tentativa de conduzir a própria vida com a constatação de que nenhuma escolha significativa oferece segurança. “Nem Vale a Pena” aborda o esforço de racionalizar o sofrimento afetivo, revelando a tentativa de transformar uma experiência emocional em uma conclusão lógica. “BH”, recuperada do processo de composição do trabalho anterior, amplia a reflexão ao apresentar a memória como uma presença ativa, capaz de interferir no presente mesmo quando parecia superada. Em “Tudo Com Você”, parceria com Joyce Alane, a narrativa incorpora a cumplicidade como forma de enfrentar as incertezas, enquanto “A Dona dos Futuros Versos” estabelece uma das ideias centrais do projeto: experiências passadas podem determinar parte da trajetória, mas não definem necessariamente aquilo que ainda será construído. A faixa-título sintetiza essa perspectiva ao rejeitar a ideia de que amadurecer consiste em alcançar uma identidade definitiva. O amadurecimento aparece, antes, como a capacidade de abandonar versões anteriores de si mesma, inclusive aquelas que foram bem-sucedidas, quando elas deixam de corresponder à pessoa que se tornou. O EP ganha força justamente por não transformar a incerteza em discurso de superação nem apresentar Carol como alguém que domina plenamente os próprios sentimentos. A artista reconhece a desordem, compreende suas consequências e decide avançar apesar dela. Embora sua duração limitada reduza a possibilidade de desenvolver algumas questões com maior amplitude, as seis faixas preservam a unidade da proposta e reforçam a ideia de transição. O encerramento de um ciclo não conduz a uma certeza sobre o futuro, mas à compreensão de que permanecer igual deixou de ser uma alternativa.


Carol Biazin

Nesse sentido, o principal risco assumido por Carol não está na possibilidade de fracassar, mas na disposição de abandonar a segurança de uma identidade conhecida para descobrir o que pode existir depois dela.


Carol Biazin, "Assumo os Riscos": Nenhuma escolha vem com garantias

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