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Do Rio a Nice - Quando a arte atravessa oceanos

Uma travessia sensorial que conecta dois litorais por meio da memória, da imagem e do som

Do Rio a Nice

Do Rio a Nice - Quando a arte atravessa oceanos


Na interseção entre o Atlântico e o Mediterrâneo, entre a batida do samba e o sopro do mistral, a exposição Do Rio a Nice: Encontro de Litorais, em cartaz na Fábrica Bhering até o dia 30 de agosto de 2025, propõe mais do que um diálogo entre linguagens artísticas: oferece uma travessia sensorial que conecta dois litorais por meio da memória, da imagem e do som.


O projeto, fruto da colaboração entre a Galeria Dobra e a ArtNova, chega ao Rio após ser exibido no Festival Fête de Yemanjá, na Riviera Francesa — e traz na bagagem não apenas obras, mas atmosferas. Ao reunir os trabalhos de Mica Barbot, Marcela Wirá, Kadão Costa e Pollyanna Ferrari, a mostra constrói uma cartografia emocional que revela afinidades entre o Rio de Janeiro e Nice para além da superfície geográfica. São cidades que compartilham a luz oblíqua das tardes marítimas, o contorno das montanhas frente ao mar e uma herança cultural que reverbera em texturas visuais e sonoras.


As composições geométricas de Mica Barbot são um ponto de partida estruturante da exposição. Inspiradas nas calçadas de Copacabana e nos traçados urbanos da Côte d’Azur, suas formas evocam não só o design modernista e suas heranças, mas também a ideia de percurso — a caminhada como modo de habitar o litoral. Suas obras funcionam como mapas abstratos de um entrelugar, onde a cidade encontra o mar.


Já a fotografia de Marcela Wirá e Kadão Costa se apoia na justaposição e na sobreposição para revelar uma estética do encontro: corpos, árvores, sombras, fachadas e horizontes se fundem em imagens que não pertencem a um só lugar. Há em suas lentes uma busca pela porosidade — tanto do espaço quanto da identidade. Suas fotos não distinguem o Rio de Nice: elas os sobrepõem, como quem reconhece que toda cidade litorânea é, no fundo, um estado de espírito.


A trilha sonora composta por Pollyanna Ferrari — com destaques para Meu Rio, A Maré e Caminhos do Rio pro Mar — atua como um fio condutor afetivo da mostra.


Seus temas carregam timbres que oscilam entre o violão brasileiro e o minimalismo europeu, costurando as obras visuais com uma musicalidade líquida. O som não está apenas em fones ou caixas: ele transborda no espaço expositivo, convidando o visitante a se deixar levar pela correnteza da experiência.


Do Rio a Nice não se contenta com a ideia de uma ponte entre dois lugares. Em vez disso, ela propõe um mar compartilhado — onde a arte flutua, carrega lembranças e recria pertencimentos. É uma exposição que convida à deriva, mas com bússola sensível: a que aponta para aquilo que, mesmo distante, ecoa familiar. Afinal, como nos lembra a canção de Pollyanna, “o mar sabe de tudo, e leva tudo onde tem que chegar”.


A exposição pode ser visitada até 30/08, de 4a. a 6a., das 12h30 às 17h, e aos sábados, das 10h às 18h, na Rua Orestes, 28 - Santo Cristo - RJ


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