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Trilha Sonora de “Ainda Estou Aqui”: Harmonia Irregular

A trilha sonora de “Ainda Estou Aqui” chega com aquele cheiro inconfundível de coisa “importante”. Sabe quando todo mundo já decidiu que é genial antes mesmo de ouvir? Pois é. Diagnóstico fechado antes dos exames. Sempre dá problema.


O filme ganhou prêmios suficientes para encher uma prateleira e inflar egos por décadas. Ótimo. Mas prêmio não faz milagre. No máximo, vende um placebo bonito.


Vamos ao que funciona. Warren Ellis entende o valor do silêncio. Suas faixas são econômicas, quase frias. Enquanto o resto ainda discute sintomas óbvios, ele já acertou o diagnóstico. Não força emoção. Cria desconforto. E isso funciona.


A trilha muda quando entram as canções da música popular brasileira. Nomes gigantes, indiscutíveis. Ainda assim, grandeza isolada não cria coerência. O conjunto soa como um encontro de especialistas que falam muito e se escutam pouco. A intenção é nobre. O resultado, irregular.



Há acertos claros. “É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo” não acompanha a cena, ela impõe presença. Funciona porque não pede licença. “Fora da Ordem” surge como comentário seco, quase cínico, e acerta o tom sem esforço.


Mas o conjunto não sustenta o mesmo nível. Em vários momentos, a trilha parece mais interessada em exibir repertório do que em servir ao filme. Técnica sem função. E técnica, sozinha, não sustenta nada.


Curiosamente, o que fica são as partes mais contidas. Ellis não tenta ser memorável. Ele é preciso. E precisão sempre vence prestígio.


Um caso clássico de excesso de confiança. Há talento, há momentos fortes, mas também uma necessidade constante de se afirmar. Funciona, mas oscila.


Não é revolucionária. Não é perfeita. Mas também não é entediante. Hoje, isso já coloca muita coisa no chinelo.


Trilha Sonora de “Ainda Estou Aqui”: Harmonia Irregular


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