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56 Dias: Rápido, envolvente e esquecível

Se o Prime Video quisesse prestar um serviço público, teria lançado “56 Dias” com manual de instruções. Não pela complexidade, mas pela insistência com que a série tenta parecer mais profunda do que é. Lembra aquele sujeito que usa palavras difíceis no jantar apenas para dizer que gosta de macarrão.


A premissa é forte e direta. Dois jovens se conhecem, se apaixonam rapidamente e, 56 dias depois, há um cadáver em decomposição no apartamento e uma investigação em curso. Um romance relâmpago que termina em perícia criminal. A ideia funciona porque é simples e cruel.


As criadoras, Lisa Zwerling e Karyn Usher, dominam a mecânica do suspense. O problema não é falta de técnica, é excesso de explicação. A série sublinha tudo. Não sugere, confirma. Não confia no espectador, conduz.


O “suspense erótico” prometido existe, mas domesticado. A tensão está ali, mas comportada, quase protocolar. Falta risco. Falta desconforto. Quando o erotismo não ameaça, ele vira decoração.


56 Dias

Dove Cameron e Avan Jogia sustentam o que podem. Há esforço em construir ambiguidade, mas o roteiro insiste em explicar o que deveria apenas insinuar. Nos raros momentos de silêncio, a série respira. Quando fala demais, se esvazia.


A estrutura fragmentada no tempo cumpre sua função, mas já não impressiona. Tornou-se linguagem padrão. Aqui, é eficiente e apenas isso.


“56 Dias” quer ser perigosa, mas se comporta. É bem executada, prende a atenção, mantém o ritmo. Mas não marca.


Você termina a série satisfeito. E esquece logo depois.


56 Dias: Rápido, envolvente e esquecível

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