CASACOR Rio 2026: Ocupará ícone modernista no centro da cidade
- circuitogeral

- há 1 dia
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Em um momento em que a discussão pública gira em torno de tarifas internacionais, insultos eleitorais, negociações de bastidores e disputas de versões, o Centro do Rio se prepara para receber algo incomum: um acontecimento que exigiu planejamento, investimento, coordenação técnica e anos de trabalho para acontecer.
Em 2026, a CASACOR Rio ocupará o Edifício Aliança da Bahia, na Rua Araújo Porto Alegre, diante do Palácio Gustavo Capanema. A coincidência temporal é curiosa. Enquanto o debate político produz manchetes diárias, um edifício modernista restaurado com paciência e método se tornará palco de uma das principais mostras de arquitetura, design e paisagismo do país.
O contraste chama atenção. Para restaurar um edifício histórico foram necessários estudos, projetos, aprovações, investimento superior a R$ 100 milhões, dois anos e meio de obras e um compromisso rigoroso com a preservação arquitetônica. Para produzir uma crise política, bastam alguns minutos, um microfone ligado e uma declaração impulsiva.
Erguido entre 1957 e 1961 para sediar a Companhia de Seguros Aliança da Bahia, o edifício atravessou mudanças econômicas, transformações urbanas, governos de diferentes orientações e sucessivas promessas de renovação do Centro da cidade. Continuou ali. As fachadas envidraçadas permaneceram. Os brises metálicos permaneceram. O mármore travertino permaneceu. Como costuma acontecer com a boa arquitetura, a construção demonstrou mais resistência do que muitas certezas produzidas ao longo das últimas décadas.
A escolha do endereço dialoga diretamente com o momento vivido pela região central do Rio. Depois de anos de esvaziamento, o Centro voltou a ocupar espaço nas discussões sobre moradia, cultura, mobilidade, turismo e preservação do patrimônio. A realização da mostra nesse contexto não representa apenas a ocupação temporária de um imóvel emblemático. Representa a oportunidade de atrair novos públicos para uma área da cidade que durante muito tempo foi observada mais como problema do que como possibilidade.

Talvez exista algo de simbólico nisso. Em um período marcado por discussões acaloradas sobre o presente, a cidade oferece um edifício que convida as pessoas a olhar para frente sem apagar o passado. É um exercício mais difícil do que parece. Demolir é simples. Abandonar também. Recuperar exige esforço, inteligência, recursos e disposição para lidar com complexidades.
A edição que celebrará os 35 anos da CASACOR Rio terá como tema "Mente e Coração". A proposta surge em um momento particularmente oportuno. Vivemos cercados por excesso de informação, estímulos permanentes, disputas de atenção e opiniões emitidas em velocidade industrial. Nesse cenário, discutir espaços voltados ao acolhimento, ao bem-estar e à convivência parece menos um luxo estético e mais uma necessidade cotidiana.
Arquitetos, designers de interiores e paisagistas serão convidados a desenvolver ambientes que dialoguem com questões relacionadas à saúde emocional, à memória afetiva e às novas formas de habitar. O desafio não será pequeno. Criar espaços equilibrados talvez seja uma tarefa mais complexa do que criar polêmicas. Polêmicas se multiplicam sozinhas. Ambientes capazes de melhorar a experiência humana exigem trabalho.
Quando a mostra abrir suas portas, entre setembro e novembro de 2026, visitantes encontrarão ambientes, instalações, ideias e experiências distribuídos por um dos edifícios mais representativos da arquitetura modernista carioca. Do lado de fora, a cidade continuará produzindo suas controvérsias habituais, suas disputas narrativas e seus personagens em busca de manchetes. Do lado de dentro, haverá ao menos uma tentativa de responder a uma pergunta mais interessante do que quem insultou quem, quem culpou quem ou quem prometeu resolver o quê.
A pergunta será como construir lugares melhores para viver. Considerando o estado permanente de agitação do debate público, já será uma contribuição considerável.
CASACOR Rio 2026: Ocupará ícone modernista no centro da cidade




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