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Exposição: De novo, novo - Repetir, transformar, perceber

A exposição De novo, novo reúne mais de vinte obras de artistas de diferentes gerações e procedimentos para investigar a repetição como experiência capaz de produzir diferença. Ao aproximar práticas como frottage, objet trouvé, reprodutibilidade técnica, trabalhos time based e serialidade, a mostra não pretende demonstrar que todas as obras repetem algo, mas evidenciar que, na arte e na vida, aquilo que retorna raramente permanece idêntico.


A relação entre repetição e cotidiano é central porque é nela que as diferenças muitas vezes passam despercebidas. Retomar uma conversa, repetir um gesto ou retornar a um lugar não significa reencontrar exatamente a mesma experiência, pois tanto as circunstâncias quanto aqueles que a vivenciam se transformam. Na arte, essa dinâmica também se manifesta. No frottage, o gesto retorna, mas a matéria responde de modo particular. No objet trouvé, um objeto existente adquire outro significado quando retirado de seu contexto. Na serialidade, a repetição só produz ritmo e sentido porque há diferenças entre os elementos.


A exposição também desloca a repetição das obras para o próprio espectador. Ao comparar imagens, recordar o que viu e perceber semelhanças e alterações, o público participa da construção da diferença. Nos trabalhos time based e nas obras tecnicamente reproduzíveis, essa questão se intensifica, pois nenhuma experiência se repete de forma absolutamente intacta. O espaço, o contexto histórico e o próprio espectador estão em constante transformação.


De novo, novo

Nesse sentido, a mostra questiona a ideia de que o novo precisa ser necessariamente inédito. Em uma sociedade marcada pela exigência permanente de novidade, retornar a uma imagem, técnica, obra, memória ou experiência pode produzir uma percepção renovada. O desejo, o hábito e a memória também funcionam dessa maneira: repetimos buscas e experiências, mas nunca as reencontramos exatamente como antes.


A exposição, contudo, não apresenta a repetição como necessariamente criadora. Seu interesse está justamente em manter aberta a questão sobre que diferença surge da repetição, quem a produz e quem a percebe. Essa perspectiva também tensiona a narrativa moderna de progresso, baseada na superação contínua do passado e na valorização da ruptura e da novidade.


Por isso, voltar ao passado não significa simplesmente reproduzi lo, mas permitir que ele seja transformado pelo olhar do presente. As obras não precisam concordar nem ilustrar uma tese única. Seus sentidos surgem das relações entre diferentes materiais, gestos, ritmos e temporalidades, fazendo com que uma obra provoque o retorno a outra e que aquilo que parecia encerrado adquira uma nova pergunta.


Assim, De novo, novo propõe que o mesmo não é necessariamente aquilo que permanece igual. A repetição pode revelar mudanças que antes não eram percebidas. A exposição torna essa percepção possível ao relacionar repetição, tempo, desejo, hábito, memória e experiência, mostrando que fazemos muitas coisas novamente, mas nunca exatamente da mesma maneira.


Exposição:  De novo, novo

Curadoria: Dereck MarouçoLocal: Danielian RJ

Endereço: Rua Major Rubens Vaz, 414 - Gávea

Período expositivo: Até 29 de agosto de 2026

Horários: Sábado das 11h às 17h

Entrada: Gratuita


Exposição: De novo, novo - Repetir, transformar, perceber

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