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O Beijo da Mulher Aranha de Bill Condon glamour sobre cinzas

A ditadura argentina, um monstro histórico, aqui é apenas cenário de gala

ARANHA

“O Beijo da Mulher Aranha” de Bill Condon: glamour sobre cinzas


Assistir a este filme é contemplar ouro falso sobre cinzas. O que Puig escreveu com coragem e subversão se transforma em polidez tecnicolor, cuidadosamente domesticada. A ditadura argentina, um monstro histórico, aqui é apenas cenário de gala, incapaz de ameaçar qualquer consciência.


Valentín e Molina deveriam incendiar a tela; são apenas bonecos de vitrine, previsíveis, contidos e politicamente inofensivos. A química entre eles foi suavizada até desaparecer, como se ousar fosse pecado. Condon dirige com timidez, transformando coragem em medo de incomodar.


O filme dentro do filme é glitter sobre tragédia: espetáculo decorativo que seduz olhos, mas não toca o espírito. Jennifer Lopez desfila glamour sem atuar. Diego Luna é o revolucionário de boutique, elegante demais para ser humano. Tonatiuh brilha, mas até sua excelência é sufocada por um roteiro covarde.


A fotografia e a música impressionam, mas o filme inteiro é um simulacro de profundidade. Coragem foi substituída por polidez; tragédia, por brilho superficial. Competência técnica não é arte. Polidez não é coragem. Brilho superficial não é verdade. Este filme é luxo sem substância, entretenimento sem alma, mediocridade vestida de gala.


helena

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