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Queremos! 2026: quatro dias de música e encontros no Rio

Por Paulo Sales e Mauro Senna


Há eventos que você cobre. Outros acabam atravessando você. Nem sempre essa mudança aparece na hora; às vezes só se revela depois, quando já não se é exatamente a mesma pessoa. O Queremos! nunca foi apenas mais um item na agenda cultural do Rio. É um festival que desloca o olhar e convida o público a sair do lugar comum.


A sétima edição acontece nos dias 4, 5, 10 e 11 de abril, ocupando o Teatro Carlos Gomes, o Circo Voador e o Vivo Rio. O festival chega com a segurança de quem entende o próprio projeto. A curadoria não busca apenas nomes fortes; ela constrói relações entre artistas e linguagens, criando diálogos que se transformam ao longo da programação.


No primeiro fim de semana, o Teatro Carlos Gomes vira quase um espaço de escuta ampliada, daqueles que pedem atenção real do público. Zeca Veloso estreia o show “Boas Novas” com banda completa. Mais do que apresentar novas músicas, o artista explora caminhos próprios, equilibrando herança musical e identidade pessoal. Antes dele, Gabriele Leite apresenta “Gunûncho” e reafirma o violão como instrumento contemporâneo, vivo e em constante reinvenção.


No domingo, Fitti revisita o repertório de Ney Matogrosso sem cair na armadilha da homenagem previsível. O show propõe uma leitura atual dessas canções, deslocando o material original para outra perspectiva. Pedro Mizutani abre a noite transitando entre MPB, indie e pop acústico com delicadeza e clareza estética.


No dia 10, no Circo Voador, o festival muda de eixo. Greentea Peng apresenta um som que mistura neo-soul, dub, jazz e psicodelia com naturalidade, recusando rótulos rígidos. Na abertura, Ata Kak traz um espírito igualmente híbrido: o passado aparece como material vivo, reorganizado no presente.


Queremos

O encerramento, no dia 11, ocupa o Vivo Rio e aposta em encontros que fazem sentido dentro da história da música negra e da música brasileira. Soul II Soul e Fernanda Abreu compartilham mais do que um palco: há um diálogo entre gerações e linguagens que ajudaram a moldar a pista de dança nas últimas décadas.


Gaby Amarantos, Céu e Melly surgem em registros diferentes, mas conectados por uma forte afirmação de identidade artística. Cada uma ocupa seu próprio território sonoro sem precisar se ajustar a um molde comum.


Jonathan Ferr apresenta “Urban Jazz, o Baile!”, deslocando o jazz do ambiente tradicional e devolvendo o gênero à pista e ao corpo. Jayda G encerra a programação lembrando que a música eletrônica também é um espaço de encontro coletivo, construído entre artista e público.

Se ainda resta a pergunta “vale a pena?”, talvez ela não seja a mais importante.


A questão é outra: você prefere assistir de fora ou participar da experiência?


Serviço

4 e 5 de abril — Teatro Carlos Gomes10 de abril — Circo Voador11 de abril — Vivo Rio

Ingressos a partir de R$ 80


No fim das contas, não se trata apenas de ir a um festival.

Trata-se de escolher que tipo de experiência musical você quer viver.


Queremos! 2026: quatro dias de música e encontros no Rio


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