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A Pequena Sereia - uma história aparentemente ingênua

Atualizado: 11 de out. de 2023

Uma jovem sereia capaz de tudo para conquistar o seu lugar no mundo dos humanos

resenha: psales e msenna


Ao sintetizar a narrativa dramática, música e imagem, o novo retrato da sereiazinha Ariel é o que mais valoriza o longa live-action da Disney - A Pequena Sereia, sob a direção indefectível de Rob Marshall que concebe preciosas abordagens dicotômicas sobre crença e niilismo, preconceito e tolerância, aversão e empatia, ganância e desprendimento, desdém e apego, hostilidade e amor. Os princípios morais que assombram o roteiro de David Magee não desenvolvem o conflito pessoal da personagem por detrás de uma história aparentemente ingênua.

A essência da insatisfação de Ariel com sua própria realidade é possuída pela trilha sonora de Alan Menken e Lin-Manuel Miranda – às vezes ousada, outras vezes esquematizada para confortar o espectador saudosista da história de uma jovem sereia capaz de tudo para conquistar o seu lugar no mundo dos humanos. E como se auxiliada pela força do destino, Ariel se apaixona por um Príncipe após salvá-lo de um naufrágio.

O conjunto de valores, instituições e posturas morais enraizados na animação de 1989 viram espuma, como ondas quando se chocam em rochedos, com a metodologia moderna do Live-Action que desencadeia resoluções complexas e atuais. A estrutura do elenco armada por Halle Bailey (Ariel), Jonah Hauer-King (Príncipe Eric), Melissa McCarthy (Úrsula) e Javier Bardem (Tritão) sustenta a edificação dos personagens para transmitir domínio de padrões estilísticos não infantilizados sobre o senso crítico contido nas entrelinhas do longa. A distinção entre o bem e o mal em meio às cruéis narrativas destinadas à vilã tem postura obscura que, evidentemente, satisfaz os mais ingênuos que acreditam no castigo do inferno e na recompensa do céu. O espaço idealizado pelo diretor de fotografia Dion Beebe, em conjunto com o musical do filme, desenha perfeitas ambientações nas quais os personagens transitam.

Com linguagem contemporânea e característica romântica, o esboço do imaginário e do utópico serve como padrão da direção de Marshall que, com muita habilidade, conta a história de uma jovem que só queria conhecer novos mares.


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