O Espelho das Bruxas, de Roberto Tardelli: Um crime, duas mulheres e o reflexo de uma sociedade julgadora
Em O Espelho das Bruxas, Roberto Tardelli parte de um território que conhece profundamente: o universo do crime, da acusação, da culpa e do julgamento. A literatura lhe permite deslocar esse debate para uma zona mais incômoda, aquela em que uma sentença termina, mas suas consequências continuam sobre os corpos e as consciências.
A história reúne Lilith e Circe, duas mulheres atravessadas por violência, trauma e pelo eco de um crime brutal. O ponto de partida aproxima investigação policial e suspense psicológico, mas a proposta anunciada pelo romance vai além da reconstrução de um acontecimento. O que interessa é observar o que a violência produz depois que deixa de ocupar as páginas de um processo.
Tardelli conhece a estrutura que organiza juridicamente a culpa. Na ficção, pode examinar aquilo que permanece fora dela. Uma sentença estabelece uma responsabilidade. Não determina, sozinha, o que uma experiência de violência fará com quem a sofreu, com quem a praticou ou com quem permaneceu ao redor do acontecimento.

O título concentra essa tensão. Um espelho não formula uma acusação nem oferece absolvição. Ele devolve uma imagem. O desconforto surge quando aquilo que aparece diante dele não corresponde à versão que gostaríamos de sustentar.
A premissa de O Espelho das Bruxas sugere uma literatura disposta a confrontar o julgamento coletivo produzido pela exposição pública. Em uma época na qual opiniões são emitidas antes que os fatos sejam compreendidos e a condenação pode adquirir a velocidade de uma postagem, discutir os limites desse julgamento deixa de ser um exercício abstrato.
O romance chega ao público em 9 de outubro, às 19h, na Blooks de Botafogo, no Rio de Janeiro, para lançamento e sessão de autógrafos. Com prefácio de Ernesto Paglia e capa de Miguel Paiva, a obra se apresenta como uma combinação de investigação policial, suspense psicológico e reflexão sobre violência, trauma, culpa, reparação, justiça e vingança.
Ainda antes de sua chegada às livrarias, a proposta do livro coloca uma questão que ultrapassa a trama: quando um crime passa a ser consumido como espetáculo, o que acontece com as pessoas transformadas em personagens?
O Espelho das Bruxas, de Roberto Tardelli: Um crime, duas mulheres e o reflexo de uma sociedade julgadora





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