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O Rei da Feira — Mistério, mortos e o assassinato da comédia brasileira

Leandro Hassum é um farol que pisca, hesitante, entre o velho e o novo. Ainda que sem brilho pleno, sua energia evita o completo naufrágio

O Rei da Feira — Mistério, mortos e o assassinato da comédia brasileira


POSITIVOS – O que brilhou sob o toldo da feira, mesmo que por instantes:

1. A centelha da ideia original

Pontuação: 3 velas acesas numa tenda esquecida.

Um policial médium na feira popular? Sim, há ousadia nisso. O conceito dança na corda bamba da originalidade — e mesmo quando cai, ao menos tentou voar.


2. A presença cativante de um rei sem trono

Pontuação: 2 risos presos em uma caixa de espelhos rachados.

Leandro Hassum é um farol que pisca, hesitante, entre o velho e o novo. Ainda que sem brilho pleno, sua energia evita o completo naufrágio.


3. O pano de fundo cultural

Pontuação: 1 tamborim tocado à meia-noite por um fantasma nostálgico.

A feira como cenário exala potencial — sons, cores e cheiros que quase ganham vida. Pena que essa alma ficou do lado de fora da tela.


NEGATIVOS – Os sussurros sombrios por trás da lona colorida:


1. A câmera bêbada de intenções

Pontuação: 4 voltas em um carrossel sem controle.

A imagem tenta ser arte, mas tropeça nos próprios pés. Gira, tremula, brilha — e nos deixa tontos, não encantados.


2. O roteiro que prometeu um segredo, mas contou tudo na primeira esquina

Pontuação: 5 cartas de tarô viradas antes da pergunta.

O mistério morre cedo. E como um truque mal executado, revela o truqueiro antes da mágica.


3. A direção em busca de ritmo que acabou acelerando para o vazio

Pontuação: 3 relógios quebrados marcando horas diferentes.

Na ânsia de parecer moderno, perde-se no tempo. E o tempo, sabemos, cobra caro a quem ousa sem mapa.


4. A promessa de riso que se dissolve no vento

Pontuação: 2 gargalhadas abafadas por um lençol de tédio.

Há momentos engraçados, sim — mas isolados, como piadas contadas a um público que já foi embora.


5. A identidade que nunca chegou à barraca certa

Pontuação: 6 máscaras esquecidas no camarim de um palhaço solitário.

Drama? Comédia? Suspense? O filme quer ser tudo, mas se desmancha como algodão-doce na chuva.


A profecia do crítico espectral:


"O Rei da Feira não é um filme. É um feitiço inacabado: conjurado com entusiasmo, mas sem precisão. Faltou alquimia, sobrou barulho. E o trono da comédia segue vazio, à espera de um verdadeiro herdeiro."


Pontuação total: 2,5 estrelas caídas do céu, presas entre os varais da feira.


Por Paulo Sales


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