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U2 - Days Of Ash EP: Quando a consciência precisa de edição

O U2 resolveu transformar acontecimentos difíceis em música com um senso claro de propósito. É um gesto ambicioso. Só que, em alguns momentos, parece calculado demais. Emoção de verdade costuma escapar um pouco desse controle.


E Bono... fala como alguém profundamente envolvido com o que está dizendo. Isso é inegável. Mas existe uma linha tênue entre engajamento e encenação, e ele flerta com essa linha mais vezes do que deveria. Ainda assim, há sinceridade ali, mesmo que venha acompanhada de um certo excesso.


As músicas, carregadas de temas pesados, buscam impacto imediato. E conseguem. Só que impacto, por si só, não sustenta tudo. Quando a obra desacelera, percebe-se que algumas ideias poderiam respirar mais, sem tanta condução.


U2

A participação de Ed Sheeran ajuda a tornar o conjunto mais acessível. Funciona. Traz equilíbrio, ainda que também revele uma preocupação evidente em manter tudo dentro de um alcance confortável.


E essas falas cheias de propósito mostram algo importante: eles ainda se importam. Talvez expliquem demais, talvez enfatizem além do necessário, mas há convicção. E convicção, mesmo imperfeita, tem valor.


O que incomoda um pouco é o acabamento excessivo. Tudo é muito organizado, muito bem apresentado. Em certos momentos, falta aquela imperfeição que torna a experiência mais verdadeira.


Não é um trabalho vazio. Longe disso. Existe intenção, existe posicionamento, existe cuidado. Só ainda não é tão profundo quanto acredita ser.


U2 - Days Of Ash EP: Quando a consciência precisa de edição

 
 
 

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