Farah Jorge Farah - O Médico que Virou Monstro

Um não psicopata


Um crime gerador de enorme clamor popular por semanas a fio e que faz da imprensa sensacionalista um núcleo dedicado ao assassino que passa a ser conhecido como “Monstro”, tamanho o requinte de crueldade presente em suas habilidades homicidas.

Vinte e quatro de janeiro de 2003 – data em que Maria do Carmo Alves tem parte dos tecidos do rosto, das plantas das mãos e dos pés removidos cirurgicamente e, desfigurada e esquartejada pelo médico Farah Jorge Farah que acondiciona os restos mortais de sua vítima em sacos de lixo, por sua vez trancados no porta-malas do executor, visando à ocultação do produto de seu bárbaro homicídio.


A partir desse cenário, a jornalista Patrícia Hargreaves escreve “Farah Jorge Farah - O Médico que Virou Monstro” através do qual assume a narrativa sobre a perseguição e o possível ato de legítima defesa do protagonista, que se declara vitimado de uma obsessão doentia por parte da Maria do Carmo, à semelhança da patologia que norteia o longa-metragem da segunda metade dos anos 1980 –‘Atração Fatal’. Recheado de informações conferidas pelos parentes, delegados, advogados, legistas e psiquiatras, a obra confere ao leitor a possibilidade de se meandrar em um thriller merecedor de se tornar uma produção cinematográfica.


A despeito do fato de Farah assumir a autoria do homicídio, a defesa justifica seu ato por se apresentar sob "violenta emoção" pois, durante apenas um mês, Maria telefona 3.708 vezes para o consultório do amante com ameaças a ele e à sua família. Segundo Farah, Maria do Carmo já vinha atormentando-o por cinco anos devido à sua não aceitação do fim da relação amorosa entre ambos, promovendo escândalos, invasões do seu consultório, perseguições de seus pais na igreja, e chegando ao ponto de ela tê-lo ameaçado com uma faca no dia do crime.


O médico é considerado por especialistas como um não psicopata e de não ser portador de problemas mentais que demandem tratamento. Simplesmente reconhecem a momentânea perda de controle do médico quando do cometimento do homicídio na noite de 24 de janeiro de 2003, a partir do momento em que Maria do Carmo se faz presente na clínica de cirurgia plástica com uma faca e o ataca. Como se estimulado por reflexo, Farah apenas se defende com a sua bengala, promovendo a colisão da cabeça de Maria contra a parede.


O que acontece posteriormente não faz parte da lembrança do médico que declara ter sido vítima de um surto mental, acordando na manhã seguinte sentado em uma cadeira, diante de sacos de lixo com um cadáver – do qual deve dar cabo.


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