Tributo a George Benson: Jimi Oliver e o desafio de celebrar um mestre do jazz
- circuitogeral

- há 5 dias
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Já se anuncia como algo maior do que um simples show

Tributo a George Benson: Jimi Oliver e o Desafio de Celebrar um Mestre do Jazz
Antes mesmo de acontecer, o tributo de Jimi Oliver à obra de George Benson já se anuncia como algo maior do que um simples show. Trata-se de um gesto carregado de significado, desses que pedem silêncio respeitoso antes mesmo da primeira nota. Não é apenas música; é uma reflexão sobre o que significa celebrar um mestre e sobre o peso simbólico que esse tipo de homenagem carrega.
Um músico sobe ao palco para celebrar outro que já foi celebrado incontáveis vezes. Tantas que a pergunta central deixa de ser se George Benson merece o tributo, ele merece, e passa a ser outra: o que exatamente estamos fazendo quando dizemos que estamos celebrando alguém?
Celebrar, nesse contexto, não é apenas tocar as músicas. É entrar num campo de expectativas rigorosas. Tocar parecido demais soa redundante; tocar diferente demais parece desrespeito. Como numa receita clássica, qualquer alteração é observada com desconfiança. O músico precisa demonstrar naturalidade enquanto equilibra tradição, identidade própria e o receio silencioso de ouvir alguém na plateia cochichar que algo saiu errado.
Dizer que o show não é sobre provar algo raramente convence. É como afirmar tranquilidade enquanto se ajusta o cabo da guitarra repetidas vezes. O ego não fica no camarim. Ele apenas aprende a se comportar em público.
O tributo também reforça uma hierarquia pouco questionada. O jazz norte-americano aparece como centro simbólico do universo musical, enquanto o resto do mundo orbita em reverência. George Benson se torna não só uma referência estética, mas quase um parâmetro moral. Tocar bem passa a significar tocar como ele, ou ao menos demonstrar consciência de que jamais se será ele. Questionar essa lógica não diminui Benson. Ao contrário, recupera o aspecto mais potente de sua obra: a habilidade de atravessar fronteiras, misturar linguagens e escapar de categorias fixas, algo que os próprios tributos, por vezes, acabam reforçando.
E há o público. Atento, exigente, sensível a cada detalhe. Pessoas que aparentam relaxamento enquanto contabilizam mentalmente cada acorde. Esse olhar coletivo molda o espetáculo tanto quanto os ensaios. Não se trata apenas de música, mas de uma encenação de maturidade artística, humildade pública e controle emocional. Errar deixa de ser humano e passa a ser exemplar, quase uma lição para quem assiste.
No fim, o maior desafio do show talvez nem seja honrar George Benson, já que isso está assegurado pelo repertório e pelo contexto. O verdadeiro desafio é usar o tributo para dizer algo além do óbvio. Mostrar que celebrar um mestre não significa colocá-lo numa redoma, mas permitir que sua obra circule, seja tensionada e atravesse outras histórias e geografias.
Se Jimi Oliver conseguir rir discretamente da própria solenidade, desconfiar das certezas envolvidas nesse ritual e abrir espaço para o risco real, aquele que não vem ensaiado, o tributo deixa de ser apenas um gesto de respeito. Torna-se algo mais raro: um diálogo vivo. E, nesse caso, George Benson provavelmente aprovaria. Ou, no mínimo, balançaria a cabeça, que no jazz já é um grande elogio.
Serviço:
Dia e hora: 04 de fevereiro, quarta-feira, às 22h30
Local: Blue Note Rio - Avenida Atlântica, 1910, Copacabana, Rio de Janeiro – RJ
Ingressos: de R$ 60 a R$ 120,







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